Sínodo da Amazônia: Papa diz que ideologias são ‘arma perigosa’

Papa Francisco fala sobre o respeito à cultura, história e estilo de vida dos indígenas e critica ‘anseio de domesticar povos originais’

Em seu discurso de abertura do Sínodo da Amazônia, na manhã desta segunda-feira, 7, o pontífice cobrou respeito à cultura indígena e rejeitou as “colonizações ideológicas” destrutivas ou redutoras.

Segundo o Papa “As ideologias são uma arma perigosa. São redutivas e nos levam ao exagero em nossa pretensão de entender intelectualmente, mas sem aceitar. Entender sem admirar, entender sem assumir”, afirmou.

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Crítica aos comentários ofensivos

Francisco afirmou não ver diferença entre as penas na cabeça de um indígena da Amazônia e o chapéu usado pelos líderes da Igreja. Sendo asso, diante de mais de 250 participantes, reagiu contra as “palavras ofensivas” em relação aos povos tradicionais da região.

“Fiquei triste ao ouvir, aqui mesmo, um comentário sarcástico sobre um homem devoto que levou ofertas com penas na cabeça. Digam-me: qual é a diferença entre ter penas na cabeça e o chapéu tricórnio usado por certos responsáveis em nossos dicastérios?” (ministérios da Cúria Romana), questionou o pontífice.

O sínodo continua até o dia 27 de outubro e se tornou um dos mais controversos gestos do papado de Francisco. O encontro vai discutir questões ambientais, além de temas sociais, ambientais e religiosos dos nove países que têm territórios na Amazônia. Além do Brasil, são Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela e Suriname.

Documento final

Quanto ao texto de trabalho do sínodo, já criticado pelos ultraconservadores da Igreja, o papa pediu aos bispos que se sintam à vontade para escrever seu próprio documento final. O documento de trabalho do sínodo insiste na necessidade de uma “inculturação” (termo cristão que defende adaptação missionária à cultura local).

A assembleia vai discutir, portanto, se o catolicismo deve ser tratado em todos os lugares como um símbolo da cultura romana e latina, ou se pode ser interpretado à sua maneira e sem negá-lo por outras culturas.

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Cerimônia

Antes de começar os debates, todos os participantes do Sínodo da Amazônia se reuniram na manhã desta segunda-feira na Basílica de São Pedro. Representantes dos povos indígenas, que formaram um círculo em torno de uma barca de madeira colocada no chão da basílica, cantaram canções tradicionais.

O papa, os bispos, os cardeais e religiosos do sínodo cantaram um texto católico tradicional. Os povos indígenas, com roupas coloridas, alguns com cocares de penas, entregaram alguns presentes ao papa.

Logo após, todos os participantes deixaram a basílica em procissão, seguindo a barca da Amazônia até a sala do sínodo, ao ritmo de canções locais em espanhol sobre “os filhos da selva”, “as águas dos rios” e “a terra fértil”.

Com informações de Veja

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