Santíssima Trindade: o mistério que nos faz irmãos e irmãs

Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos! (Sl 32,22)

Tendo celebrado o mistério da Páscoa de Jesus Cristo por cinquenta dias, a Igreja passa a peregrinar o Tempo Comum da fé. Os paramentos da liturgia vão retomar a cor verde indicando a nossa esperança em Deus que caminha conosco, mas espera que sejamos melhores a cada dia, sempre mais parecidos com o seu Filho, Jesus de Nazaré.

 

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Pela oração da Igreja, na Vigília Pascal, todos nós atualizamos nosso compromisso de fé em Jesus Cristo, por meio da renovação das promessas batismais, recordando que participamos da filiação divina por obra do Espírito Santo.
Viver a fé nos dias de hoje é assumir concretamente a vontade do Pai e do Filho e do Espírito Santo para nós: dar testemunho da nossa unidade, mesmo no meio das diferenças, mas revelando ao mundo que Deus nos fez plurais para revelar a sua beleza, sua bondade e sua misericórdia infinita.

A unidade na pluralidade

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina:

“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina” (CIC 234).

Mistério central quer dizer que acreditar na Santíssima Trindade é a coisa mais importante da fé cristã. Somente a partir da comunhão e da unidade de amor que existe na Trindade é que podemos entender o mistério da Eucaristia e dos demais sacramentos; o mistério da Revelação divina e os conteúdos da doutrina; o mistério da oração pessoal e da liturgia de nossas celebrações em comunidade; e o mistério da vida e a nossa convivência com as pessoas.

A unidade da Igreja somente é compreendida quando colocamos o foco no mistério da Santíssima Trindade. A luz divina, sempre eterna, conduz os homens e as mulheres à verdade, graças ao testemunho de fé concreto pela busca da harmonia, da reconciliação e da paz.
A vida em sociedade, na família, na relação conjugal, nos laços de irmãos e amigos, em todas as nossas relações precisa existir o modo particular da Trindade: comunhão plena, unidade na pluralidade, fidelidade.

A fé na Trindade e a vida diária

O mistério não é algo escondido ou um segredo inacessível. Pela fé, podemos perceber sinais da presença divina em nossa vida. E pela contemplação da fé, também somos capazes de compreender o ser de Deus e suas ações.

A primeira capacidade de nossa razão é entender que nosso Deus não é solitário, fechado em si, egoísta. Pelo contrário, a fé a Santíssima Trindade nos mostra que Deus é comunidade, partilha, unidade de três pessoas. A Trindade é família. A riqueza e a beleza da Santíssima Trindade é o respeito e a unidade profunda que Pai e Filho e Espírito Santo vivem entre si.

Este mistério que se revela à nossa mente, também move os nossos corações para que nossas atitudes imitem o agir da Trindade. E quando percebemos o modo de agir de cada pessoa da Santíssima Trindade, podemos extrair alguns ensinamentos e práticas para o nosso dia a dia:

Amar como o Pai ama: todos os gestos de Jesus revelam o jeito de Deus Pai agir; a Palavra de Deus ensina que “ninguém jamais viu Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus está conosco, e o seu amor se realiza completamente entre nós” (1Jo 4,12). Assim, quando nos perguntamos pelo jeito de Deus agir em relação a nós, olhemos as nossas atitudes com as pessoas a nossa volta. Somos reféns da maneira que amamos aos irmãos e irmãs, filhos e filhas de Deus, pela nossa fé em Cristo Jesus.

Assumir a vida do Filho: os evangelistas nos apresentam os fatos principais das atitudes de Jesus, que nasceu e viveu numa família de Nazaré, passou no mundo fazendo o bem (At 10,38) e ensinou ao mundo que o Reino de Deus acontece quando tomamos decisões firmes para gerar a justiça, a verdade, a solidariedade. A nossa fé no Deus invisível e todo-poderoso se reflete em atitudes sempre visíveis, de modo que o poder da nossa fé também transforme as realidades para que a vida cresça em abundância (Jo 10,10).

Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo: quando rezamos invocando o Espírito de Deus, pedimos: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovareis a face da terra”. Desse modo, se queremos ver uma nova terra e uma nova sociedade, ver a nossa família e o nosso interior renovados, precisamos praticar a humildade e abandonar as nossas velhas teimosias. O Espírito Santo é sopro de vida (Gn 2,7), vida que vem de Deus. Portanto, o Espírito Santo causa em nós a novidade e a mudança que vem da parte de Deus. Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo é assumir um jeito novo na sociedade para testemunhar a unidade, a comunhão, a plenitude, a doação completa.

Rezemos: Ó Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, Deus Uno e Trino, vós que podeis fazer tudo, infundi em nós o amor e compaixão para colaborarmos com vossa obra no mundo todo e assim, todas as coisas possam ser renovadas por vossa graça. Completai, ó Trindade Santa, em nós a obra que começastes. Amém.

Ariél Philippi Machado é Catequista na Arquidiocese de Florianópolis (SC), membro da Rede Lumen de Catequese, Teólogo e Especialista em Catequese – Iniciação à Vida Cristã.

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