Pastoral da saúde: mantenha o silêncio e a postura nas visitas pastorais

Tenha uma atenção especial às pausas de silêncio durante as visitas da pastoral da saúde

No trabalho da Pastoral da Saúde e na dinâmica do encontro pastoral, acontece comumente que, após uma troca inicial ou uma conversação superficial, siga uma pausa de silêncio. O agente ansioso tende a romper o silêncio com perguntas, comentários, “conversa fiada”, que servem apenas para sair do embaraço do momento. Essa urgência de dizer qualquer coisa nasce da dificuldade de suportar o silêncio. Ele é recebido como um juízo sobre sua própria capacidade comunicativa ou como uma ameaça à sua necessidade de controlar a condução do diálogo. O verdadeiro acompanhamento pastoral deixa ao outro a iniciativa de falar de si, segundo seu ritmo e suas exigências.

Para facilitar a comunicação com o outro, o agente se vale da linguagem não-verbal: postura física, expressão facial, aproximação, olhar, que servem para transmitir interesse, aceitação, disponibilidade de escuta.

O diálogo não é feito apenas de silêncio e de esperas, mas também de respostas, palavras, perguntas. A preocupação de manter a conversação comporta, às vezes, o risco de fazer demasiadas perguntas sem valor, que servem somente para preencher os vazios e. Frequentemente, não interessam nem a quem as faz nem a quem deve responder. Um critério pastoral útil consiste em fazer perguntas que sejam úteis ao doente para seu processo de crescimento e auto compreensão.

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Cuidado com o mal-estar

É importante vigiar para que as próprias intervenções não sejam ditadas pelo mal-estar diante do silêncio. Que as perguntas feitas não se tornem um modo para satisfazer inconscientemente as próprias necessidades e exigências. Em linguagem analítica se chama contratransferência.

Na relação de ajuda, merecem atenção especial as pausas de silêncio. Elas devem ser respeitadas. Deixadas à disposição daquele que fala, para que possa recolher-se, sentir a si mesmo, reviver o que narra, relaxar-se da tensão emotiva, reordenar seus pensamentos, verificar se o comportamento daquele que a escuta apresenta sempre a atenção e a empatia necessárias para continuar. As pausas de silêncio, no diálogo, manifestam uma misteriosa solenidade: permitem às frases ditas repousar do seu significado. Sendo assim, ambos os interlocutores devem escutar novamente no silêncio e aprofundá-las em seu eco, quer expressem alegria ou dor.

Portanto, além do silêncio da presença, é preciso valorizar o silêncio do distanciamento, da ausência. Deixar oportunamente o doente a sós significa deixar espaço para Deus. Para que encontre mais intimamente a si mesmo e seu mistério.

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Anísio Baldessin,  é padre camiliano. Capelão do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.  Diretor do Instituto Camiliano de Pastoral da Saúde – ICAPS. Autor do livro “Assistência religiosa aos doentes – Aspectos psicológicos” – Edições Loyola, 2007

Texto escrito por Anísio Baldessin e adaptado por Redação Promocat

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