O Equívoco que deu certo!

Não me recordo bem o ano, mas numa manhã, estando na secretaria recebia uma revista para lá de especial: Revista Paróquias. Fiquei muito instigado a ler e conhecer quando me deparei com um artigo sobre o dízimo. Curiosamente, o artigo tinha o meu conteúdo, mas com a autoria de outro autor.

Não por vaidade humana, mas o dízimo foi empreendido, inicialmente, por poucos autores interessados na reflexão. Conhecíamos o MEAC, aqueles missionários que tiveram um papel muito importante nessa história da divulgação do dízimo, no Brasil, e que estão completando 50 anos de atividade. O Pe. Cristovam Iubel com os trabalhos iniciais e, outros, que estavam começando a experiência de forma rudimentar.

 

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O Estudo da CNBB – 8 [pastoral do dízimo] veio dar um espaço de fortalecimento a essa reflexão, mas de forma acanhada e repleta de alguns melindres para não ofender os contribuintes. Existiam mais condicionamentos, cuidados e advertências que um claro convite à experiência de Deus. Aliás, nem se usava essa expressão!

Voltando à matéria da Revista. Aquele espaço era o que estava faltando naquele exato momento para a Igreja do Brasil se estender a esse desafio; era uma ferramenta indispensável. Da minha parte, havia escrito alguns modestos livros a respeito do dízimo. Pela Editora O Recado publicava os primeiros trabalhos e, pela Vozes, dava o primeiro texto publicado sobre o dízimo. Nos meus primeiros livros anotava, sempre, a minha experiência pastoral na vida paroquial.

Na década de 80 por aí – um pouco menos ou mais – falar e pensar o dízimo era bastante problemático. Não era fácil iniciar essa experiência e havia a necessidade de se investir, muito, em divulgação ou em marketing.

A inclusão do dízimo, na Igreja do Brasil, teve sua aurora em meados da década de sessenta, mas de modo muito localizado e, aos poucos, ele foi se abrindo e recebendo algumas inserções em algumas paróquias. O Estudo da CNBB – 8 traz, no final de suas páginas, a relação de algumas paróquias que haviam aderido à sistematização do dízimo e estavam fazendo a proposta com bons resultados.

Da minha parte estava muito feliz com a iniciativa por uma Revista que tinha um olhar voltado à promoção do dízimo. Era o que estava faltando e, acrescido, a Revista tinha um designer muito estimulante e que não havia nada semelhante no mercado. A Revista tinha tudo para dar certo e, de fato, foi o que aconteceu. Hoje comemoramos a tiragem da 100ª edição.

Agregaram-se várias experiências de pessoas dedicadas a escrever e motivar a experiência com artigos e reflexões pertinentes e cheias de sugestões e de motivações para dar passos largos na proposta. Foi o que aconteceu com o passar dos anos. Surgiram muitos testemunhos, propostas, ideias e interessados em refletir o dízimo paroquial. Algo, certamente, jamais imaginado.

Acrescida à Revista surgiram os encontros-congressos sobre o dízimo e que foram, todos, muito bem sucedidos. Percebeu-se o interesse das comunidades, dos agentes e o sucedo das temáticas com uma assertividade impressionante e que deixavam a todos muito realizados. Os congressos eram um verdadeiro encontro de ferramentas atualizadas para o exercício de teologia pastoral.

O dízimo foi, por todo esse tempo, muito bem alvejado e aceito nas comunidades; foi uma âncora para sustentar as atividades de pastoral; trouxe um novo ardor missionário para a Igreja. A maioria das paróquias tem vivido, exclusivamente, dessa experiência. Sou testemunho vivencial desse veio fecundo onde tudo que consegui fazer, na comunidade, foi com a contrapartida dos meus dizimistas.

Motivado por todos esses argumentos e práticas de pastoral do dízimo, acabei escrevendo 19 livros sobre e com o tema do dízimo. O dízimo continua sendo o meu desafio na ‘nova’ paróquia onde estou exercendo o ministério. Ele prossegue sendo o vestibular nesse tempo conturbado de pandemia. Nesses dois anos de paróquia fizemos muitos progressos na pastoral, na experiência e nos resultados. Não tivemos um retrocesso, mas continuamos colhendo os bons resultados por uma adesão cada dia mais acentuada.

Enfim, o que a Palavra nos orienta: “Honra ao Senhor com teus bens e com as primícias de todos os teus rendimentos” (Pr 3,9). Agradecido por todos os meus leitores.

Pe. Jerônimo Gasques 

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