No Brasil, a maioria dos jovens querem o matrimônio, de acordo com pesquisa internacional

Com a valorização dos vínculos no lar, o matrimônio tem sido desejado por cerca de 80% dos jovens

Apesar das fragilidades já identificadas no país pela pobreza funcional e estrutural vivida pelas famílias, um estudo internacional também reconhece a força que brota de dentro de casa: com a valorização dos vínculos no lar, o matrimônio tem sido desejado por cerca de 80% dos jovens. Esses dados foram antecipados pelo coordenador da pesquisa no Brasil, Pe. Rafael Fornasier, e serão apresentados nesta terça-feira (23), em encontro virtual, através da plataforma do Observatório Internacional da Família.

 

DIRETÓRIO CATEQUESE DESK

 

Esse relatório será apresentado nesta terça-feira (23), às 15h na Itália (10h no horário de Brasília). O link de acesso será disponibilizado no dia do evento no site www.familymonitor.net. O próprio Observatório Internacional da Família (Family International Monitor), do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família, está coordenando o projeto que conta com a colaboração da Universidade Católica de Múrcia, na Espanha, e do Centro Internacional de Estudos sobre a Família (CISF), de Milão, na Itália.

A pesquisa procura reunir dados bibliográficos e estatísticos, inclusive de órgãos governamentais, informações e pesquisas de campo sobre a relação família-pobreza. Um trabalho amplo que está sendo realizado em duas etapas: a primeira, que compreende os anos de 2019 e 2020, que justamente será divulgada nesta terça-feira, concentrou o estudo sobre o aspecto de ‘família e pobreza relacional’; já a segunda etapa, que começa a partir de agora e compreende os anos de 2020 e 2021, a pesquisa será direcionada para a ‘família e pobreza econômica’.

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Quem explica no detalhe como está acontecendo esse grande trabalho de abrangência internacional é o Pe. Rafael Fornasier, diretor da seção brasileira do Pontifício Instituto, com mestrado e doutorado em Família. Ele coordena a parte da pesquisa no Brasil:

“A ideia justamente é mapear como a família vem lidando com a questão da pobreza não somente econômica, não somente estrutural, mas, como a gente anunciou também, com a pobreza relacional. O Brasil, dentre tantos países participantes dessa pesquisa – são vários países envolvidos, com várias instituições de ensino e centros acadêmicos – deu a sua contribuição com um relatório de aproximadamente de 15 a 20 páginas; procurando também fazer esse mapeamento a partir de estudos que nós temos realizado aqui no Brasil. E tentando justamente perceber quais são as forças e as fragilidades da família ao lidar com essa questão relacional e também com a pobreza relacional e econômica.”

A força das gerações dentro de casa

Sobre a realidade brasileira, o Pe. Rafael pôde antecipar o que será apresentado no relatório. O professor explica que as famílias, caracteristicamente “ampliadas”, ganham com a força e a solidariedade de outros atores envolvidos no lar, como avós e tios. Se de um lado, porém, existe essa riqueza, do outro corre a pobreza com “uma queda muito acelerada da taxa de natalidade no país”:

“Sublinhando um pouco do que a gente percebe que acontece no Brasil, a família é entendida como família ampliada, ou seja, não só aquela nuclear – constituída de pais e filhos –, mas envolvendo também os avós e os tios. Então, tem uma força intergeracional muito grande, por isso também uma solidariedade intergeracional muito grande, sobretudo no momento em que o Brasil está envelhecendo cada vez mais. Então, temos essa riqueza intergeracional e, por sua vez, também já identificamos uma pobreza, porque estamos diminuindo também o acolhimento das novas gerações com um decréscimo, uma queda muito acelerada da taxa de natalidade no país.

Obviamente que isso está ligado à pobreza estrutural e econômica nas famílias, que não têm filhos porque não se sentem seguras para criar filhos neste mundo, não tendo o apoio necessário econômico: o trabalho, a escola, a creche, a saúde, enfim, tantas coisas das quais nós necessitamos para viver dignamente.

Sendo assim, essa é uma fragilidade, uma pobreza que a gente identifica ligada à pobreza estrutural, a pobreza relacional que seria aquela da relação parental e da relação também de filiação.”

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80% desejam o matrimônio

O Pe. Rafael aponta ainda, sempre com base no Brasil, outra força que se identifica dentro de casa com a valorização da família, sobretudo porque o matrimônio tem sido um desejo de cerca de 80% dos jovens; e outra fragilidade:

“A gente identifica também uma pobreza na fragilidade dos vínculos conjugais: o aumento de divórcios no país, embora haja uma outra riqueza aí, isto é, a valorização da família, como toda a família de origem, uma família vista como todo como o maior bem, enfim, pelas novas gerações é algo muito valorizado. No entanto, há um grande receio em se constituir família, embora se aponte também que o casamento ainda continua sendo desejado por grande parte da juventude: entre 70 e 80%.”

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Mapeamento como base para melhor atuação

Entender o aspecto relacional da pobreza e as implicações na realidade familiar podem ajudar a Igreja, e também o Estado, para melhor intervir e apoiar ações para superar “as pobrezas relacionais e estruturais”:

“Agora é importante que se trabalhe justamente para fortalecer os vínculos familiares, identificando justamente – como é um pouco o papel dessa pesquisa – onde estão as fragilidades, onde estão as riquezas e como não só a própria família, mas o Estado também é chamado em causa e, no nosso caso também, a Igreja.”

Com informações de Vatican News

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