Mantenha a sacralidade do presbitério de sua paróquia

Conheça a importância de manter a sacralidade do presbitério

Com a retirada do altar dos fundos, um grande espaço surge entre o altar mais próximo da assembléia e a parede. Contudo, o que fazer neste enorme espaço? A solução encontrada em algumas igrejas não foi das melhores. Houve quem construísse uma parede criando um novo espaço na parte de trás – o que compromete a unidade da arquitetura anterior. Essas meias paredes, quando não vão até o alto e escondem a abside, não ornam e quebram a verticalidade.

Ao longo dos anos de trabalho reformando igrejas, tenho me convencido de que o melhor é não buscar soluções para esconder os espaços. Eles existem e foram construídos em outra época, com outra teologia e outra liturgia. Por este motivo, devemos assumir que ocupamos um espaço já existente e construído para outros fins. A adaptação deverá considerar isso, não procurando esconder a realidade. Mas há aqueles que aproveitam o espaço para encher de coisas, às vezes parecendo um verdadeiro depósito. Enchem de flores, imagens, e o que mais desejarem.

A melhor opção para este problema seria o de aproveitá-los com bancos ou cadeiras para as lideranças, os ministros, e quando houver uma pequena comunidade, celebrar de costas para a entrada, com os fiéis ocupando estes bancos entre o altar e a parede de fundos.

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Altura do presbitério

Na antiga liturgia o presidente da celebração não interagia com a assembléia e a celebração se dava de costas para os fiéis. O presbitério era alto para valorizar este espaço e a posição de quem o ocupava servia para separar ainda mais o fiel do clero. Dessa forma, hoje um presbitério muito elevado prejudica o bom andamento da liturgia, a comunicação com a assembléia e a participação desta.

Pior que um presbitério com uma escadaria grande é aquele que deixa só um trecho de escada e o restante com um paredão na altura do presbitério. A sensação de isolamento e de separação é ainda maior. Dá a impressão de um palco de teatro.

É muito difícil fazer uma reforma que diminua a altura do presbitério porque este tem ligação com a sacristia e outros espaços laterais ou de fundo com o mesmo nível. Portanto, é possível rebaixar pelo menos a frente onde está colocado o altar e o ambão, onde se dá a maior parte da celebração. Há casos em que o altar foi trazido para baixo, para o nível da assembléia. Dessa forma, isto é possível em igrejas pequenas ou com a assembléia em pequena rampa em direção ao presbitério, como foi o caso da paróquia dos frades dominicanos, no bairro das Perdizes, em São Paulo.

Pouco espaço ao redor do altar

O motivo de pouco espaço é porque o presbitério é muito pequeno, ou porque há muitas e grandes peças no presbitério. Normalmente é fácil aumentar um pouco o presbitério para o lado da assembléia. Sendo assim, o mais indicado é fazer essa introdução na assembléia em curva, não prejudicando as laterais e dando a impressão do presbitério estar inserido na assembléia.

O presbitério é o lugar do altar, da cadeira da presidência e dos ministros e, não obrigatoriamente, do ambão e da estante do comentarista. O resto pode ser retirado para dar mais mobilidade. Não há necessidade de muitos arranjos, que só escondem as peças e desvalorizam o conjunto pelo excesso. Imagens também não devem estar no presbitério, como já dissemos. E as peças essenciais não precisam ser muito grandes, um altar de 1m x 1m ou 1,20m x 80 cm já basta, ambão de 30 cm x 40 cm é o necessário e uma estante leve para o comentarista, os bancos ou cadeiras para a presidência e os ministros medem 45 cm x 45 cm. Contudo, todas essas medidas são da base, não da altura.

Resumo
  • O presbitério é o espaço mais importante do edifício igreja e como tal deve ser respeitado. O presbitério não é depósito.
  • As peças essenciais no presbitério são a mesa da eucaristia, a mesa da Palavra e a cadeira da presidência e dos ministros. Pode haver uma ou duas credências, castiçais, a cruz processional, o círio pascal e uma estante móvel para os comentários e avisos. Mais nada.
  • O presbitério deve ter uma dimensão tal que os ritos possam ser realizados comodamente. Devem caber os móveis necessários e ter espaço para a mobilidade do celebrante, dos ministros e de todos aqueles que terão de estar no local.
  • O presbitério não deve estar separado, nem distante da assembléia por muitos degraus nem muretas.
  • Reformas em presbitérios para adaptação litúrgica não podem ignorar a unidade da arquitetura da igreja. As reformas devem ser muito bem planejadas e as soluções improvisadas nunca são satisfatórias.

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Regina Céli de Albuquerque Machado é arquiteta, cursou Teologia pelo Instituto Lúmen Vitae em Bruxelas e desde 1984 dedica-se à arquitetura religiosa.
Texto escrito por Regina e adaptado por Redação Promocat

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