Liderança comunicativa: Em quais polêmicas entrar?

A cada novo dia, uma nova polêmica. Uma nova pauta, um novo assunto a ser comentado, a ser opinado. E o líder religioso, deve comentar sobre tudo? Em tudo deve omitir uma opinião?

A conclusão sobre estes questionamentos é relativa, pois o assunto é subjetivo. Mas cabem sugestões no cenário do gerenciamento de crise em comunicação.

Uma pessoa que exerce papel de liderança na comunidade católica, que opina sobre tudo, pode acabar, aos poucos, perdendo relevância e credibilidade.

A influência social deste líder tende a se fragilizar.

Ninguém é bom em tudo, ao ponto de saber sobre tudo, de ter domínio e propriedade para falar sobre todos os assuntos. Falar em demasia nas redes sociais causa um cansaço coletivo em nossos seguidores e dispersão do nosso público alvo.

A dica reflexiva é questionadora: Em quais polêmicas devo entrar? Vale a pena eu opinar sobre isso? Vou contribuir? Vou agregar? Minha presença nesse debate é relevante?

Liderança comunicativa: Em quais polêmicas entrar?

Hoje presenciamos fenômenos como o assustador índice de analfabetismo funcional entre as pessoas. Nossa sociedade carece de capacidade interpretativa, tem preguiça de ler os contextos e prefere o caminho da extrema polarização perdendo a autonomia da inteligência contextual.

Neste sentido, precisamos que as nossas lideranças façam a correta escolha na hora de ir a público manifestar sua opinião e consequentemente levar consigo a imagem da organização que representa – no caso, a Igreja.

Todos nós que trabalhamos na Igreja – voluntários ou não – devemos fazer o exercício sagrado da reflexão sobre as consequências das nossas opiniões nas redes sociais sobre qualquer fato que esteja posto.

Se você é líder na Igreja, saiba que você – queira ou não – carrega consigo a imagem da instituição. Ninguém é obrigado a ser liderança da Igreja, mas depois que aceitamos exercer esse papel, devemos ter consciência de que sempre seremos lembrados como o fulano da Igreja, o padre, o catequista, o rapaz da liturgia, a moça da acolhida…

Antes de verbalizar algo, lembremos das bases de valores do cristianismo: caridade, fraternidade, justiça, misericórdia…

Se a minha opinião estiver baseada nesses valores, o risco de errar será bem menor.

Que as nossas presenças nas redes sejam marcadas pela comunicação não violenta. Talvez este seja o grande sinal profético que podemos testemunhar nestes tempos turbulentos que também atravessa a comunicação cristã.

Everton Barbosa é jornalista, escritor e palestrante nas áreas de comunicação e espiritualidade cristã.

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