Liberdade e comunidade

É interessante observar como as pessoas veem e se comportam diante de acontecimentos que atingem a todos, ou ao menos a muitos. Há as reações mais diversas possíveis. É o que podemos ver concretamente quanto à pandemia que mexe com todos nós. São inúmeras as reações das pessoas.

 

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Diante da crise da pandemia

Encontram-se muitas pessoas preocupadas que buscam uma saída para se defender a si e aos seus. Alguns buscam refúgio na ciência, aceitam as orientações de prevenção, esperam a solução pela vacina e pelo tratamento médico; outros tentam encontrar na fé a proteção; outros ainda, minimizam a coisa; dizem que não é bem assim, que dificuldades sempre têm, e que não é dessa vez que as coisas irão ser diferente. Por último existem também os negacionistas. São os que negam, não somente a gravidade, mas até a existência do problema. Na verdade, estes últimos, procuram desviar o olhar; esconder a cabeça na areia.

Estas são algumas maneiras de as pessoas enfrentar a crise da pandemia que atinge o mundo todo, e que já vitimou muita gente pelo mundo afora, que está desafiando terrivelmente o nosso País. Qual será a melhor resposta que podemos e devemos dar diante destes acontecimentos que tanto sofrimento trazem consigo?

Ciência e fé não se excluem. Nem uma nem outra sozinha têm a totalidade da resposta. Não há dúvida, que a ciência é fruto do desenvolvimento das capacidades que o ser humano recebeu de Deus. E, quando ele a usa para o bem, ela está conforme o plano deste mesmo Deus. As conquistas científicas devem ser para todos; nunca, para um pequeno grupo apenas, que por acaso pretende delas se apossar.

A fé, quando verdadeira, confia no poder e na proteção de Deus. Isto não quer dizer que deixa de lado o esforço humano. Pelo contrário, quanto mais fé, tanto mais compromisso. O homem de fé sabe muito bem que Deus conta com o seu trabalho, e que deve ver no desenvolvimento e nas conquistas científicas a bênção do Senhor. Os trabalhos científicos respondem ao mandato de Deus de dominar a Terra. Portanto, não é verdadeira fé a daquele que se “esconde” em seu egoísmo, a atitude da pessoa que não vai à luta, mas diz que Deus deverá protegê-lo. Pode ser uma forma de tomar o nome de Deus em vão.

Minimizar pode ser um grande perigo, fruto de imprudência e da irresponsabilidade. A crise está aí, ninguém a pode ignorar. Porém, à medida que se minimiza, não se dá a devida atenção e os cuidados para se precaver e cuidar dos outros. Isto pode ser muito perigoso.

Negar é o pior que alguém pode fazer! Além de eliminar todo cuidado, ainda engana aos outros. Quem faz isto está fazendo um desserviço; está prejudicando a si e ao próximo. Não somente, mas faz o mal ao outro, favorecendo a disseminação da doença. É ódio mesmo!

Que fazer? Ser livre em comunidade

A crise mostra muito egoísmo disseminado. Em todas as atitudes ele pode estar presente e seduzir as pessoas. Nas soluções científicas o egoísmo pode se manifestar lá onde alguém, com mentalidade capitalista, quer se beneficiar egoisticamente, tirando lucros de algo que deve ser para todos. Infelizmente existem os que estão interessados em explorar também este campo.

Nos que deixam toda responsabilidade apenas a Deus – ou até iludem aos outros a fazê-lo também -, o egoísmo é mais visível ainda. Além de não fazerem nada, levam outros ao engano. Às vezes, chegam até a roubar o próximo, aproveitando-se maldosamente da boa-fé das pessoas.

Os que minimizam e os que negam a realidade crítica, não contribuem com nada. E, também eles são embusteiros. O egoísmo é a sua norma. Não pensam no outro, contudo, eles acham que sabem tudo e não ligam para o sofrimento do próximo.

Alguém vai perguntar onde fica a liberdade de cada um? Sim. Somos livres, mas nunca para fazer o mal. E, mais ainda, prejudicar o outro que conosco forma comunidade. Todos somos livres para fazer o bem. E nossa liberdade vai até à liberdade do outro. Não somos ilhas, mas estamos em comunidade. A comunidade é um valor imenso, contudo, ela exige renúncia e sacrifício de cada membro para que tudo funcione bem.

Para que exista verdadeiramente comunidade é preciso que o bem de todos ocupe o primeiro lugar. Cada um deve colaborar para que o bem comum seja atingido. Isto é exigência em qualquer comunidade, porém muito mais, na comunidade cristã, uma vez que ela, a partir de Jesus Cristo se fundamenta no amor mútuo, “amai-vos como eu vos amei”.

Concretamente, quem diante de crise tão séria, como é a pandemia da Covid-19, age egoisticamente pensando somente em si, é um malfeitor. Alguém que diz “eu não vou tomar a vacina porque sou livre e faço o que bem entendo”, está prejudicando não somente a si, mas está fazendo o mal a numerosos outros. Ele não tem liberdade para tal. Afirma o grande historiador da Igreja, Pe. Beozzo, “Não somos livres, quando estamos em comunidade, para fazer o mal aos outros”. E quem não leva a sério as recomendações das autoridades sanitárias, não quer cuidar de si, está fazendo o mal ao próximo; e assim, destruindo a comunidade.

É bom lembrar que além de pertencermos à comunidade cristã, pertencemos à comunidade humana que está no mundo todo. Somos responsáveis por toda a humanidade. Que o Espírito de Deus seja nossa luz para este grande desafio.

Pe. Mário Fernando Glaab.

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