Acolher o outro e sua dor com um abraço silencioso pode salvar o acolhido e o acolhedor. E é essa ternura que nos leva, como pessoas e como Igreja, a sermos acolhedores e anunciadores da graça

Refletir sobre a ternura é fundamental nesse momento, em razão de sua importância na prevenção de um grave fenômeno que atualmente atinge adolescentes e jovens no Brasil: o suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é “o ato voluntário de matar a própria vida, usando para isso um meio que a pessoa acredita que será letal”.Os números de suicídio são alarmantes: um milhão de pessoas se matam por ano no mundo, quarenta pessoas se matam por dia no Brasil. O suicídio é a segunda causa de morte entre adolescentes e jovens no Brasil, e a tentativa de autoextermínio é a principal causa de emergência psiquiátrica em hospitais gerais.

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O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial (provocado por vários fatores que se associam), mas que pode ser prevenido. O primeiro passo é ficarmos atentos aos sinais de risco. Oitenta por cento das pessoas que atentam contra a própria vida dão sinais por meio de falas diretas, como: “Eu quero morrer”, “Eu vou me matar”, Eu não aguento mais isso”; e de frases indiretas, como: “Eu estou pensando em fazer uma grande besteira”, “Se isso acontecer de novo, eu acabo com tudo”, acompanhadas de mudanças comportamentais, por exemplo: comportamento retraído, mudança na aparência (negligência ou desleixo aos cuidados pessoais), isolamento, olhar distante, queda no rendimento escolar, preocupação com temas relacionados à morte, mudança de humor, irritabilidade, pessimismo, apatia. É importante avaliar os riscos.

O segundo passo é conversar e ouvir a pessoa com amor, com carinho e com afeto, sem julgar, sem condenar. Dor não se compara. Nesse passo, é muito importante ser “acolhedor”, ser capaz de acolher a dor do outro.

O terceiro passo é não ficar indiferente ou paralisado, ou seja, incentive a pessoa a buscar ajuda ou mesmo conduza-a a um serviço de saúde mental (como grupos de apoio), ou a um profissional de saúde mental, como psicólogo e/ou psiquiatra. Entretanto, nunca deixe de rezar e interceder ao Senhor por aquela pessoa.

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Acolher o outro e sua dor com um abraço silencioso pode salvar o acolhido e o acolhedor. E é essa ternura que nos leva, como pessoas e como Igreja, a sermos acolhedores e anunciadores da graça, baseada numa teologia da ternura, que leve de fato à prática da ternura. É importante que os jovens não tenham medo; pelo contrário, tenham a coragem de viver a ternura. É essa amorosidade que ajuda na prevenção ao suicídio, que cria vínculo e dá noção de pertencimento.

Que o jovem beato Carlo Acutis interceda para que os jovens possam descobrir que a ternura é o outro nome da compaixão, da misericórdia, do cuidado, do acolhimento. A ternura é o outro nome do Amor.

Pe. Licio de Araújo Vale é padre diocesano incardinado na Diocese de São Miguel Paulista- SP, ordenado em 3 de dezembro de 1983; além de Filosofia e Teologia, ele é qualificado em Suicídio em Automutilação pela Unipar e é membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio (ABEPS).

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