Invista na qualidade da boa comunicação

A boa comunicação significa um serviço de qualidade

Para uma boa comunicação devemos levar em consideração, além das palavras, algumas qualidades pertinentes ao diálogo. Sem esgotar o assunto, e considerando que cada uma das qualidades pode ser profundamente considerada na sua compreensão e profundidade, olhemos para a ação do próprio Cristo e aprendamos com Ele, que veio nos ensinar a nos comunicar com Deus como Pai, e com os outros como irmãos. Ele veio nos salvar da mediocridade da vida, do seu vazio. E para isso ensinou a arte de amar que envolve em si mesma a de comunicar.

Empatia

Significa colocar-se no lugar do outro. Procurar reconhecer o outro como alguém que tem suas necessidades, seus pensamentos, seus sentimentos, seus comportamentos e tratá-lo como gostaríamos de ser tratado. É a lei de ouro: “Não faça aos outros o que não gostaria que fosse feito a você” ou em uma linguagem afirmativa: “Faça aos outros o que gostaria que fosse feito a você”. Esse é o princípio e a primeira lição da arte de amar, portanto de comunicar. Pensemos no efeito disso em nossos diálogos, convivência, na ação pastoral.

O outro não é apenas um cliente, consumidor, um alguém que depende ou precisa de nós, mas cada um é um tesouro rico de possibilidades e que precisa ser amado para que se estabeleça com ele uma comunicação verdadeira.

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Determinação

Essa qualidade diz respeito ao saber fazer e ao compromisso. Uma pessoa determinada é alguém que sabe fazer o que se propõe e assume o compromisso para isso. Vamos considerar muitas oportunidades e possibilidades em nossa ação pastoral. Por exemplo: alguém é convidado a tocar um instrumento musical na liturgia ou a cantar ou mesmo a fazer uma leitura. Não basta gostar da ideia e se sentir capaz, é preciso saber tocar e bem, saber cantar e muito bem, saber ler além do simples fato de ser alfabetizado. Isso implica ainda no compromisso de fazer essas atividades como um serviço para o outro e com respeito à comunidade e à missão que assume. Isso envolve também a seriedade e as competências necessárias.

Convicção

Este é um dos pontos mais delicados e exigentes. Na comunicação pastoral, litúrgica, assim como nas diversas formas e experiências de comunicação, é fundamental acreditar no conteúdo que transmite. O comunicador deve ser o primeiro a crer no que diz. Não basta saber sobre determinado assunto nem mesmo ter algumas habilidades. É preciso ser convicto e acreditar naquilo que está transmitindo. Quando diz, por exemplo, “Ele está no meio de nós”, ou “Palavra do Senhor”, quando se canta uma canção é preciso crer no que está dizendo e cantando.

Não serve apenas o conteúdo, mas a convicção de que aquilo que digo é o que acredito de fato, sem hipocrisia. É muito comum ver, sobretudo na propaganda comercial, pessoas que dizem as coisas sem estarem convictas. Mostram claramente com palavras e sobretudo com linguagens não verbais que dizem da boca para fora, como apenas uma “profissão”, repetem texto decorado e são pagos para isso. Isso não combina com nossa vocação de comunicadores da fé.

Credibilidade

É a coerência entre o que diz, vive e é. É a comunicação com a vida além das palavras. Aquilo que falo é o que creio e vivo e manifesto isso com minha postura, minhas escolhas, minhas mensagens com palavras e além das palavras, com a vida. A credibilidade é uma das mais altas expressões da comunicação autêntica e verdadeira. A credibilidade é uma maneira de “dizer-se”, de fazer transparecer pela fala quem a pessoa é. Para isso é preciso mesmo viver o sentido do que se diz.

Eficiência

Trata-se da qualidade do que se faz, no caso, da comunicação. A eficiência é a capacidade de fazer bem o que se está fazendo. Não basta fazer, é preciso fazer bem. Isso pode suscitar muitos desafios e desejos de aprender mais e melhor. Essa qualidade não é apenas de ação, mas de atitude. Uma pessoa eficiente é antes de tudo uma pessoa que procura crescer como pessoa mesmo, como ser humano. Isso fará que suas atividades tenham sempre qualidade e resultados coerentes.

Podemos analisar muitas práticas na pastoral, na liturgia, na catequese e revisar sua eficiência, propondo-nos a mais qualidade no serviço prestado. Com criatividade podemos percorrer todo o âmbito de nossa ação, fazendo uma revisão pessoal e grupal. Isso poderá modificar muitos procedimentos para uma nova linguagem e mais qualidade.

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Eficácia

Consiste em atingir os objetivos propostos. Uma pessoa é eficaz, uma ação é eficaz quando atinge seus objetivos. Caso me proponha a ensinar alguém a prestar algum serviço, por exemplo, serei eficaz à medida que a pessoa entenda bem e saiba fazer o que lhe ensinei. Desse modo fui eficaz, isto é, consegui transmitir, ensinar o que desejava. Pensemos nisso nas diferentes possibilidades que temos em nossa ação pastoral. Muitas vezes tantos esforços não atingem novos objetivos porque falta eficácia.

Maturidade

Podemos dizer que todas as características da comunicação e, portanto, da convivência, exigem maturidade – espiritual, intelectual, moral, emocional, afetiva, social. A maturidade é expressão de muitas virtudes na qual o amor tudo compreende e resume. Amadurecer é um processo de crescimento pessoal e comunitário que vai assumindo todas as qualidades necessárias para que a comunicação, no seu sentido amplo e abrangente, seja mais verdadeira. Isso exige humildade, abertura, desejo, trabalho interno e atividades externas. O grau de maturidade vai se expressar nas diversas formas de comunicar ajudando o crescimento ou empobrecendo as relações e a missão.

As qualidades da boa comunicação estão interligadas e se relacionam umas com as outras. Sendo assim, cada pessoa, ao se comunicar, expressa essas características através do bom uso da palavra, dos sinais, dos gestos e das formas.

Pe. José Alem é Pedagogo, professor de comunicação e filosofia. Especialista em Comunicação, Logoterapia, Espiritualidade. Sacerdote, conferencista. Filósofo clínico, Educador e Comunicador.
Contato: josealem@bol.com.br

Texto escrito por Pe. José Alem e adaptado por Redação Promocat

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