Invista em uma administração com procedimentos transparentes utilizando categorias construtivas

“A responsabilidade da gestão também é da comunidade, supondo que essa participa direta ou indiretamente da sua administração”

A administração paroquial ou eclesial não é ainda um tema muito explorado entre os estudiosos da administração, mas é uma área que vem ganhando cada vez mais atenção, sobretudo entre os gestores deste campo: bispos, padres, diáconos, frades e freiras, e também leigos. Isso porque os desafios da atualidade no campo administrativo aumentaram, cobrando das instituições eclesiásticas – leia-se Igrejas – procedimentos administrativos mais transparentes e eficazes.

Exigências administrativas e legais já eram feitas a outras empresas do terceiro setor: as filantrópicas, como, por exemplo, as escolas e universidades, os hospitais entre outras. Mas, nas últimas décadas, a fiscalização do governo recaiu também sobre as Igrejas de qualquer denominação religiosa, e as paróquias não ficaram isentas de auditorias e das novas exigências no campo administrativo. Disso também decorrem as necessidades de o gestor paroquial se aperfeiçoar nesta área para poder responder melhor nas suas ações administrativas, não apenas em relação às exigências das leis que regulamentam essa categoria de empresa do terceiro setor, mas também para que haja mais transparência e participação na gestão. Por isso o termo em voga hoje na administração paroquial é gestão participativa.

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Conceitos consideráveis sobre gestão

O termo gestão, do inglês management, e do latim gestio ou gestionis, consiste em um conjunto de ações, métodos e processos de direção de uma empresa que engloba planejamento, organização, controle de ações, entre outros procedimentos que conduzem os seus empreendimentos. Essas ações não são de responsabilidade apenas dos seus gestores diretos (presidentes, diretores, párocos), aos quais cabem, por lei, as responsabilidades pelas ações administrativas, mas a todas as pessoas que participam das atividades da empresa, sobretudo se elas forem sócias, como é o caso das paróquias. No caso da administração paroquial e da gestão participativa que se pede nessa modalidade de administração, a responsabilidade da gestão também é da comunidade, supondo que essa participa direta ou indiretamente da sua administração.

Entende-se por gestão participativa a possibilidade de influenciar nos processos de tomada de decisão, de participar democraticamente, de defender seus pontos de vista sobre planejamento, investimentos entre outras decisões, que deverão sempre ser tomadas em assembleia ou através de Conselhos. No caso da paróquia, por meio do Conselho Paroquial de Pastoral, instância máxima de decisão dessa instituição.

Assim, este artigo objetiva traçar breves apontamentos, meramente introdutórios, por questão de espaço, sobre alguns aspectos da administração paroquial que se configuram em seis categorias de gestão, amalgamadas entre si, formando um conjunto de atividades que denominamos gestão eclesial, os quais eu desenvolvi em um livro sobre gestão que está em vias de publicação. São elas: 1. Gestão financeira; 2. Gestão patrimonial; 3. Gestão de pessoas; 4. Gestão pastoral; 5. Gestão espiritual; 6. Gestão missionária. Essas categorias de gestão foram agrupadas aqui em quatro blocos, ou capítulos, acrescido de mais um capítulo introdutório, em que tratamos de elucidar alguns conceitos básicos da administração paroquial, sobretudo a classificação da paróquia dentro do terceiro setor.

O papel do administrador eclesial

O bom administrador paroquial precisa conhecer o conceito geral de administração, algo fundamental para o entendimento da administração paroquial, e identificar a paróquia como “empresa do terceiro setor”. Além disso, ele precisa conhecer o conceito de setores em administração: primário, secundário e terciário ou, em uma terminologia mais usual, primeiro setor, segundo setor e terceiro setor. Ele precisa saber que dentro do terceiro setor está a Igreja Católica, com as suas dioceses, tidas como “Igrejas Particulares”, e essas, por sua vez, com as paróquias, que são partes integrantes das dioceses, vistas e tratadas pelo governo como Matriz (diocese) e filiais (paróquias).

Outro aspecto que quem administra uma paróquia deve conhecer é o de categoria, termo muito usado na sociologia, mas que podemos aplicar a qualquer área, inclusive na administração. Ele precisa conhecer as categorias de gestão que existem na paróquia, começando pela gestão financeira e patrimonial que é a mais visível quando se trata de administração. Não que essas duas sejam as mais importantes, mas são as que mais geram dúvidas entre os gestores, fazendo com que se cometam erros primários relacionados à administração de finanças e patrimônio da paróquia. Juntamente com a gestão de pessoas, é na gestão de finanças e de patrimônio que recai mais a atenção por parte do governo. Embora as paróquias tenham certas isenções, elas têm muitas obrigações, dentre elas, obrigações e encargos sociais, que envolvem pessoas, patrimônio e finanças.

A gestão na paróquia

Assim, a gestão de pessoas e a gestão pastoral são outras duas categorias de gestão elementares para quem está gerindo uma paróquia. Como já acenado, essas outras duas categorias de gestão estão muito próximas das duas anteriores (finanças e patrimônio), para não dizer, inseparáveis. A pastoral depende de pessoas e as pessoas formam a comunidade paroquial na qual se desenvolvem as ações pastorais e outras ações, sejam como funcionárias, voluntárias, agentes de pastoral, prestadores de serviços ou gerenciadores do sagrado, consagrados ou não, envolvendo nessas ações administrativas finanças e patrimônios.

Essa complexidade de relações é tratada na gestão de pessoas, porém, faço certas diferenciações para que fiquem elucidadas algumas questões elementares da administração paroquial. Dentre esses procedimentos, destaco os Conselhos, o Planejamento e o Plano de Pastoral, as metodologias usadas nesta categoria de gestão, entre outras ações. Ainda dentro da gestão de pessoas eu chamo a atenção para tratar do e-Social, nome fantasia do Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais Previdenciárias e Trabalhistas implantado pelo governo desde 2015, mas que entrou em vigor a partir de janeiro de 2018, do qual toda Empresa, inclusive as mitras diocesanas e paróquias, estão obrigadas a participar. Coloco o e-Social na categoria de gestão de pessoas porque ele trata dos direitos trabalhistas.

As diferente formas de gerenciar

Ainda falando de categorias de gestão, recordo outras duas: a gestão espiritual e missionária, que podemos considerar o cume da gestão eclesial. Cume porque para essas duas últimas é que convergem todas as demais, pois elas é que possibilitam que a paróquia alcance seu propósito, sua meta, ou seu fim último que é a evangelização. Essas duas categorias de gestão estão amalgamadas à gestão de pessoas, mas têm aspectos peculiares. Assim, toda categoria de gestão é meio para atingir determinado fim, ou, em linguagem de administração de empresas, atividades-meio para alcançar a atividade-fim. A gestão espiritual e a gestão missionária são propulsoras da evangelização, e por essa razão estão bem próximas desse fim último, embora ainda não se configurem no fim último.

Por fim, destaco a importância da gestão do tempo. Para administrar finanças, patrimônio, pessoas, espiritualidades, missão, é preciso saber gerir o tempo. Deixei essa categoria para o final, mas, na prática, ela vem em primeiro lugar. Quem não sabe gerir o tempo dificilmente conseguirá gerir bem os demais aspectos, ou categorias de gestão.

Desse modo, para se gerir bem uma paróquia é preciso construir uma teia de relações com um fio condutor que guia essas seis categorias de gestão. Acredito que os passos aqui indicados possam auxiliar gestores paroquiais no processo de administração paroquial de modo que promova uma gestão aliada à missão. Essas e outras abordagens de gestão paroquial estão no meu próximo livro “Como gerir bem uma paróquia”, em vias de publicação pela Editora Paulus.

Pe. José Carlos Pereira, CP é doutor em Sociologia, mestre em Ciências da Religião, autor de diversos livros, dentre eles: “Assembleia Paroquial – Roteiro de preparação e realização”, “Gestão Eficaz – sugestões para a renovação paroquial”, “A Nova Secretaria Paroquial: Organização, técnicas e cuidados especiais na administração paroquial”, Catholicus Editora e Revista Paróquias, dentre outros. Ministra cursos e palestras em paróquias e dioceses do Brasil.
Contato: cpzeca@uol.com.br
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