Faça da comunicação um instrumento indispensável no cotidiano na contemporaneidade

A comunicação é um instrumento indispensável em tempos modernos

A sociedade do novo milênio está passando por muitas mudanças. Diferentemente de outras épocas, essas mudanças têm alcance global, afetando o mundo inteiro. Um instrumento determinante dessas transformações é a ciência e a tecnologia, com sua capacidade de manipular a própria vida dos seres vivos e com a capacidade também de criar uma rede de comunicações de alcance mundial, de interação em tempo real, apesar das distâncias geográficas.

Nesse novo contexto social, a vida do ser humano e sua realidade se tornaram complexas e fragmentadas. A falta de informação só se resolve com mais informação, gerando e dando à luz, tantas vezes e contraditoriamente, a incomunicação e a incompreensão. Para o cientista político francês, Dominique Wolton, os homens “comunicam-se” bem mais facilmente que no passado. Mas a comunicação, a intercompreensão, não é proporcional à eficácia das técnicas. Sonhou-se com a aldeia global; encontra se a cacofonia de Babel. Na ponta dos canais e das redes, encontramos frequentemente, a incompreensão, para não dizer a ‘incomunicação’.

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Reflexão e ação

Essa sociedade em constante mudança é retratada pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, com a metáfora da “fluidez”. Os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade. Os fluidos não ficam presos em espaços, nem prendem o tempo, pois o preenchem por um momento. Os sólidos, ao contrário, não podem mudar facilmente. Uma pedra, dependendo do tamanho e do peso, pode ficar milhões de anos no mesmo lugar. As águas de um rio, ao contrário, oferecem dificuldades para serem contidas. Os fluidos se movem facilmente. Eles fluem, esvaem-se, respingam, transbordam, vazam, inundam. Portanto, fluidez ou liquidez dá ideia da nova fase pela qual a sociedade está passando. Os sólidos estão derretendo. O sagrado sendo profanado. O passado, destronado.

Bauman entende que a sociedade de hoje é líquido-moderna. Nela, as realizações individuais podem muda em um piscar de olhos. Tudo envelhece rapidamente. A inconstância criou raízes profundas. Ou você se moderniza, ou perece. Modernizar-se é viver no presente e pelo presente. É obter satisfação, o máximo possível. Velocidade e não duração é o que importa.

Com a velocidade certa, pode-se consumir toda a eternidade no presente, sem ter de esperar a continuação das experiências em uma vida futura. O caminho é comprimir a eternidade no hoje da história. É poder ajustá-la à duração de uma existência individual. A incerteza de uma vida mortal em um universo imortal foi, finalmente, resolvida. É possível parar de se preocupar com as coisas eternas sem perder as maravilhas da eternidade. Com efeito, ao longo de uma vida mortal pode-se extrair tudo aquilo que a eternidade poderia oferecer.

Valores humanos

Antes da modernidade líquida, o tempo caminhava a passos de tartaruga. As pessoas, em meio a sofrimentos de toda ordem, aceitavam viver nesse “vale de lágrimas”, com o olhar voltado para um futuro feliz, pleno, eterno, onde todos os seus sonhos se concretizariam. Em nosso mundo acelerado, essas esperanças podem ser descartadas, pois importa mesmo viver o aqui e o agora. Na modernidade líquida, a economia gira em torno de objetos descartáveis ou de envelhecimento rápido. Há o desprezo pelo “longo prazo” e pela “totalidade” e sua substituição pelos valores da gratificação instantânea e da felicidade individual.

A sociedade de consumo tem, por base, a premissa de satisfazer os desejos humanos de uma forma que nenhuma sociedade do passado pôde realizar ou sonhar. Na contemporaneidade cresce a fragilidade dos laços humanos, o sentimento de insegurança que ela inspira. Surgem as relações “virtuais” onde homem e mulher estão “conectados”, mas cada um pode ‘deletar’ o outro na hora em que bem quiser. Apaixonam-se e desapaixonam-se com facilidade.

Na modernidade líquida, o amor “até que a morte nos separe”, está fora de moda. Enfim, o desejo dominou o amor. Quem deseja quer consumir, absorver, devorar, ingerir, digerir, aniquilar. Assim, o ser humano vive na corda bamba, em uma areia movediça. Enfrenta o alto mar com uma jangada, sem nada próximo que lhe dê apoio, segurança, solidez.

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De que maneira a Igreja pode enfrentar esses desafios que a sociedade do novo milênio apresenta?

Como anunciar Jesus Cristo àqueles que vivem na liquidez, no consumismo, na indiferença? A Pastoral da Comunicação é imprescindível.  Sendo assim, além de perpassar todas as outras pastorais tecendo a rede do amor, ela deve se fazer presente nos meios de comunicação social.

“A Igreja se sentiria culpada diante de Deus se não empregasse esses poderosos meios, que a inteligência humana aperfeiçoa cada vez mais. Com eles, a Igreja ‘proclama a partir dos telhados’ (Mt 10,27; Lc 12,3) a mensagem da qual é depositária. Neles, encontra uma versão moderna e eficaz do ‘púlpito’. Graças a eles pode falar às multidões” (DAp, 485), ajudando homens e mulheres, fragilizados pela liquidez da modernidade, a construírem a casa sobre a Rocha: Jesus Cristo.

Pe. Agnaldo José é Jornalista, Pós-Graduado em Jornalismo Literário, Mestre em Comunicação na Contemporaneidade, pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo/SP. Contato: pe.agnaldojose@uol.com.br

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