Espaço de celebração: saiba como prepará-lo para as diferentes liturgias

Construindo um espaço de celebração

É sempre importante pensar e selecionar um bom espaço de celebração. Celebramos nossas diversas liturgias nos diferentes tempos litúrgicos sempre no mesmo espaço e com os mesmos mobiliários. Também a vida possui o mesmo cenário para desenvolver sua liturgia, a mesma montanha, rios, árvores e o mesmo céu. Mas a natureza com o dia e a noite, as diferentes estações, enriquece o cenário e nos tira da rotina.

Deveríamos nos inspirar na natureza para preparar os locais de celebração para as diferentes liturgias nos diferentes tempos litúrgicos. A natureza tem o artifício da luz, das cores e dos cheiros. Por exemplo, no inverno a tristeza é expressa com pouca luz e poucas cores, as flores estão ausentes, o frio também nos deixa mais quietos. No verão, a água abundante faz o verde mais bonito, há cores, os dias são maiores que as noites. A primavera com sua explosão de aromas e o outono já nos preparando para a tristeza do inverno. Sendo assim, não seria a quaresma e o outono a nos preparar para a morte e a ressurreição que se segue?

Espaço de celebração

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Há várias formas de dinamizar o espaço:

A luz

Primeiramente, a iluminação pode contribuir positiva ou negativamente para o desenvolvimento da liturgia. Para cada ambiente e função se tem um tipo determinado de luz e de intensidade de iluminação indicada. A iluminação de uma igreja não é a mesma de uma sala de aula que, com luz fraca, pode provocar sono nos alunos. Uma igreja iluminada excessivamente pode não ser acolhedora. Não será acolhedora também se iluminada com lâmpadas fluorescentes, mais indicadas para escritórios. O espaço de celebração não precisa estar iluminado todo por igual. Uma iluminação especial sobre alguma peça ou imagem ajuda a valorizá-las. O altar e a mesa da Palavra podem ter uma iluminação direta sobre eles.

As cores

Tanto as cores como as texturas dos materiais de acabamento que revestem o interior e o exterior das igrejas, podem ser aliados na vontade de se ter um lugar aconchegante que nos leve à participação, ao silêncio e à oração. Cores frias como cinza e gelo nos afastam pois são cores que não ajudam a criar um ambiente aconchegante. Por exemplo, cores como areia e palha são cores quentes, aproximam, são mais confortáveis e aconchegantes.

A decoração

Qualquer decoração deve estar a serviço do projeto de arquitetura e de liturgia, deve fazer parte de uma unidade, não deve existir sozinha. A decoração não pode ser uma composição em si mesma, mas elemento de um todo. Por isso, o que a comunidade pretende fazer, sejam vitrais, pinturas, quadros, painéis, tudo deve ser muito bem pensado e discutido e deve fazer sentido teológico e litúrgico. Resumindo, se o local não é bonito nem agradável, pode ficar muito pior se começar a acrescentar coisas com o objetivo de embelezar.

As flores

Aqui também, quanto menos melhor. É comum as pessoas valorizarem demais os arranjos, mais do que o altar e o ambão. O arranjo deve ser mínimo e muito discreto, não é ele que importa. Costuma-se pendurar nas paredes vasos com plantas tipo samambaias. Quando se entra na igreja, só se vê os vasos, o essencial desaparece. No entanto, o material também deve ser considerado. Plantas e flores de plástico são inconcebíveis no lugar da celebração. Portando, um lugar onde a verdade é anunciada e deve ser experimentada, não pode ser decorado com coisas de mentira.

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Regina Céli de Albuquerque Machado é arquiteta formada pela Universidade Santa Úrsula no Rio de Janeiro. Cursou Teologia no Instituto Lumen Vitae em Bruxelas. Desde 1984 dedica-se à arquitetura religiosa.

Texto escrito por Regina e adaptado por Redação Promocat

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