Entenda o significado do Sacramento da Unção dos Enfermos

Compreenda o significado do Sacramento da Unção dos Enfermos e o momento em que ele deve ser recebido

Juntamente com a ‘Penitência’, a ‘Unção dos Enfermos’ é um sacramento de cura. A enfermidade coloca o ser humano diante de uma realidade limite: sua finitude. Na doença, a pessoa experimenta sua impotência e sua fraqueza. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a enfermidade pode levar a pessoa à angústia, a fechar-se sobre si mesma e, às vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar a pessoa mais madura, ajudá-la a discernir em sua vida o que não é essencial, para voltar-se àquilo que é essencial. Não raro, a doença provoca uma busca de Deus, um retorno a Ele” (n. 1501).

Diante da possibilidade da morte, o ser humano revê atitudes e relacionamentos, pois a morte iguala a todos (classes sociais, etnias, raças, etc) e é sempre um fator que mexe com as pessoas. No entanto, devemos superar a concepção de que esse sacramento é para aqueles que estão prestes a morrer. O antigo nome extrema-unção – usado antes do Concílio do Vaticano II – expressava a concepção de que esse sacramento era somente para aqueles que já estavam à beira da morte. A partir da Sacrosanctum Concilium (n. 73), a nomenclatura foi alterada para Unção dos Enfermos, manifestando também o modo de conceber essa unção, que não é sacramento da morte, mas, ao contrário, é sacramento da vida, para que o enfermo receba alívio, se reerga e seja salvo (cf. Tg 5,15).

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Aspectos Bíblico-Teológicos

A Sagrada Escritura nos apresenta, em diversos textos, como o próprio Cristo se dedicou em cuidar corporal e espiritualmente dos enfermos. Durante a refeição com os pecadores, Jesus afirma que “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes” (Mc 2, 17).

Muitas vezes, Jesus pede aos enfermos que creiam (cf. Mc 5, 34-36; 9, 23); serve-se de sinais para curar: lama (Jo 9, 13), saliva e imposição das mãos (cf. Mc 7, 32-36; 8, 22-25). Os doentes procuram tocá-Lo (cf. Mc 3, 10; 6, 56), “porque dele saía uma força que a todos curava” (Lc 6, 19). Enfim, Cristo veio para resgatar e salvar a todos (cf. CIC, n. 1504-1505); Ele “tomou nossas enfermidades e carregou nossas doenças” (Mt 8, 17).

No evangelho de Marcos, encontramos o texto em que os discípulos “expulsavam muitos demônios, e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6,13). Essa unção realizada pelos apóstolos logo se tornou uma prática nas primeiras comunidades cristãs. A carta de São Tiago nos relata: “Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; e, se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados” (Tg 5, 14-15).

Olhemos mais de perto alguns aspectos apresentados por São Tiago em relação à Unção dos Enfermos:

  1. O texto apresenta uma dimensão eclesial e também o ministro (o presbítero) deste sacramento quando se refere aos presbíteros da Igreja.
  2. Declara, ainda, a matéria a ser usada e a atuação de Cristo na ação sacramental: ungindo-o com óleo em nome do Senhor. É Cristo quem atua na vida do enfermo por meio do óleo (consagrado).
  3. É necessário que se tenha fé na oração que se realiza juntamente com a unção: a oração da fé. Essa atitude de fé é fundamental para o cristão, pois os sacramentos supõem a fé (cf. CIC, n. 1123) e esta, associada à oração (etimologicamente, a palavra or significa luz e ação, agir. Portanto, o cristão que ora, encontra luz para o seu agir), faz com que o enfermo compreenda a sua realidade não simplesmente com os olhos humanos, mas com “os olhos de Deus”. A fórmula, aprovada pela Igreja, que acompanha a unção é a seguinte: Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos.
  4. Os efeitos da Unção apontam para uma dimensão corporal e/ou escatológica: salvará o doente e o Senhor o porá de pé. A referência ao “salvar” e ao “colocar de pé” pode ser interpretada em uma dupla dimensão:
  5. Física – muitas pessoas que são ungidas se reanimam, recuperam a saúde e, “se for conveniente à sua salvação espiritual” (Cf. Ritual da Unção, n. 6), conseguem a cura de sua enfermidade.
  6. Escatológica (referente à vida futura) – a unção com o óleo deixa a pessoa em estado de graça e, se acaso vier a falecer, estará em plena comunhão com Deus.
  7. O perdão dos pecados é apresentado como uma condição: se tiver pecados, eles serão perdoados. Sendo possível, recomenda-se que o enfermo se confesse antes da unção. Caso isso não seja possível (por exemplo: se a pessoa está inconsciente, desacordada, sedada em uma UTI), a unção também perdoa os pecados.

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Quem pode receber a unção

O ‘Ritual da Unção dos Enfermos’ destaca que esse sacramento pode ser ministrado aos fiéis que adoecem gravemente por enfermidade (n. 8); antes de uma operação cirúrgica, “sempre que uma doença grave for a causa da intervenção” (n. 10); e também às pessoas com idade avançada, cujas forças se encontrem sensivelmente debilitadas, mesmo que não se trate de grave enfermidade (n. 11). Vale destacar que “este sacramento pode ser repetido se o doente convalescer após ter recebido a Unção, ou também se, perdurando a mesma doença, vier a encontrar-se em situação mais grave” (n. 9).

No entanto, atualmente há pessoas que resistem a receber tal sacramento, pois ainda é muito forte, na consciência de muitos fiéis, a palavra “extrema-unção”. Não se pode continuar com o costume de protelar o sacramento para as vésperas da morte. A Unção confere ao enfermo a graça do Espírito Santo, reanima a sua confiança em Deus e o fortalece contra as tentações do maligno e as aflições da morte (cf. Ritual da Unção, n. 6). Por isso, deve ser realizada a devida catequese para que se compreenda o verdadeiro sentido desse sacramento.

A Igreja jamais pode deixar de assistir os fiéis diante de suas necessidades. No Corpo de Cristo, que é a Igreja, se um membro sofre, todos os outros sofrem com ele (cf. 1Cor 12,26). Por isso, todos os cristãos deveriam se empenhar na tarefa de assistir aos enfermos da comunidade, seja por meio de visitas, levando a sagrada Eucaristia, rezando com a pessoa e sua família, enfim, agindo de modo a despertar, na pessoa que se encontra debilitada e em seus familiares, aquela fé entusiasmada e corajosa que faz com que muitos encontrem a força necessária para se reerguerem e retomarem as suas atividades.

Que Cristo, o “médico dos médicos”, com seu auxílio, conforte os enfermos, alivie seus sofrimentos, reanime as suas forças e restabeleça-lhes a saúde.

Pe. Sandro Ferreira é Mestre em Teologia pela PUCPR, Pároco na Paróquia Santo Antônio de Pádua, Assessor da Catequese e do Projeto Pós-Crisma na Arquidiocese de Maringá/PR e Professor de Liturgia e Teologia dos Sacramentos na PUCPR-Campus Londrina.

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