Coragem para recomeçar…

Estamos num momento sem precedentes; a tão temida 3ª guerra mundial foi deflagrada, mas não por armas, e sim por um vírus implacável que vem ceifando muitas vidas apesar dos esforços mundiais em combatê-lo. E como em toda guerra, há muitas baixas (mortes) e muitos feridos. Precisamos nos fortalecer e ajudar na reconstrução social e econômica do mundo. Será necessário estratégia, senso de união e para muitos, coragem para recomeçar.

 

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Certamente você sabe de alguém que está em dificuldades pois milhares de pessoas estão em sofrimento. Alguns perderam o direito de ir e vir, isso por si só já tem sido traumático para quem não tinha alcance da palavra liberdade em sua essência. Muitos, além da liberdade, perderam também empregos, negócios, sua fonte de renda, a dignidade para prover suas famílias. E o pior: amigos, companheiros, filhos, familiares. Tem sido muito desafiante permanecer otimista e indiferente a essa tragédia! Quantas saudades estamos de um abraço, de uma reunião familiar! Por isso, quero compartilhar uma mensagem de esperança e falar de resiliência. Manter a esperança é a maior prova de força que uma pessoa pode dar a si mesmo, é saber que a qualquer momento coisas boas podem acontecer. Precisamos crer que vai passar, precisamos ter resiliência.

O conceito base de resiliência é a capacidade de enfrentar as dificuldades e supera-las, seguindo adiante com transformações positivas, aprendendo com a experiência. O símbolo é uma flor que consegue brotar mesmo num solo árido. Parece impossível? Vou te explicar como podemos ativar nossa resiliência e o poder de superação…

Se você teve alguma perda, seu luto é legítimo e necessário; é parte do processo e impossível fingir que não aconteceu pois a negação pode provocar transtornos emocionais, mais adiante. O primeiro passo para a superação é justamente a capacidade de enfrentamento da situação. Chamamos de clareza da análise, ser capaz de usar a razão para entender o fato. Sem rodeios, é preciso aceitar, chorar o necessário, e sentir; para só então pensar em seguir adiante. O instinto de sobrevivência nos leva a redefinir um propósito e continuar. O caminho? Pensar em solidariedade e senso de utilidade: quem ainda precisa de mim, o que fazer para ajudar o outro? Quem conta com rede de proteção consegue superar muito mais rápido qualquer tipo de perda. A rede de proteção é uma das forças-maior, seu apoio, seu sustentáculo. O amigo, o irmão, a comunidade, a fé, a Igreja. É o primeiro pilar da resiliência. Onde você encontrar e sentir acolhimento, sua ferida já estará em processo de tratamento e cura. Pois o carinho, a compaixão do próximo acalma, alivia, consola. Basta que a gente permita. Aceite, abra seu coração para a ajuda que está ao seu lado, pois a dor muitas vezes bloqueia e impede a “ajuda” de se aproximar.

O segundo pilar da resiliência está na gestão das emoções, e realmente é o mais difícil diante de perdas. Quando conseguimos controlar as emoções automaticamente abrimos espaço para a clareza de análise e o processo de cura. Mas, como fazer para controlar as emoções? Primeiro, entenda que sentir-se deprimido não quer dizer ser depressivo, assim como estar ansioso não é ter ansiedade. Estar alterado sob algum impacto ruim é natural, mas quando a sensação de ansiedade, apatia ou tristeza perdurar indefinidamente é preciso buscar ajuda profissional, para uma avaliação clínica e medicação. Manifestações físicas são sinais, como o coração disparar e a respiração ficar ofegante: tente controlar a crise de ansiedade. Trabalhe a Fé, a força espiritual para se acalmar. Sim, a prece é um santo remédio, todos sabem disso. Até a ciência já se curvou à força da fé; de acordo com o Núcleo de Estudos sobre a Religiosidade-Espiritualidade em Saúde (NERES), do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), pesquisas analisam os benefícios da fé no tratamento de doenças. Segundo o Dr. Marcelo Saad, a espiritualidade pode contribuir com efeitos positivos na imunidade do corpo e garantir o equilíbrio neurofisiológico e dos hormônios. “Se o sistema neurológico está equilibrado, o estado psicológico fica propenso a trazer a sensação de esperança, de perdão, de amor e de altruísmo (…). A fé é ainda capaz de mobilizar a endorfina, o hormônio do bem-estar”, explica.

Se você ainda não está convencido, tente uma dica simples como a respiração profunda: inspirar, segurar o ar por alguns segundos e expirar lentamente… Repetir algumas vezes e fazer uma prece. Ou escute uma música, de olhos fechados e num local tranquilo, como aquela prece linda do Gilberto Gil… “Se eu quiser falar com Deus…” ou aquela do sertanejo Almir Sater, “tocando em frente”… Respire profundamente e entre em oração; siga o lema cristão: “ora, que melhora!”. Sinta a ansiedade passar.

Saiba que a superação depende de força de vontade e disciplina: é preciso ter vontade de reagir (isso é individual e único) e disciplina para exercitar a reconstrução, pedra sobre pedra, dia após dia, com paciência e determinação. A superação é construída com o fortalecimento de camadas de recursos emocionais: a empatia, o perdão e a gratidão.

Colocar-se no lugar do outro é um fortificante natural, empatia e compaixão atenuam e aliviam nossas próprias dores e mazelas. Outro exercício de fortalecimento emocional é o perdão: um ato de humildade e libertação, pois tira um peso que quase nunca é percebido por quem feriu… As mágoas nos consomem e prejudicam. Sinta a liberdade de perdoar e ficar em paz. E por último, agradeça todo dia pelo que restou, pelo que ainda tem, por quem ainda está ao seu lado, pelo ar que respira, pelos sentidos que você tiver; acorde e já agradeça! Vamos resgatar coisas boas e potencializar notícias positivas, pois muitas pessoas também estão se recuperando, se reinventando e vencendo suas batalhas! Recomeçar é preciso!

Convido você nesse momento a participar de uma corrente de positividade e esperança, fazer desse momento uma profissão de fé, solidariedade e coragem! Para que em breve muitos sorrisos, abraços e celebrações sejam a nossa pandemia do bem. Gratidão!

TRIPÉ DA RESILIENCIA: POSITIVIDADE / CLAREZA ANALITICA / EMOÇÕES

Heloisa R. Borges é palestrante e mestre pela USP em Ciências da Saúde, mentora em qualidade de vida doutoranda em resiliência contato: @heloisaborges.qv

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