O sistema financeiro de sua instituição é de grande importância. Fique atento!

Quando vamos ao cardiologista é pedido um exame para saber como está nosso coração. Então fazemos um eletrocardiograma. Caso tenha algum problema de arritmia, ele bate descompassado, e isso é mostrado em linhas que aumentam e diminuem rapidamente. Podemos por esse exame fazer uma analogia com a gestão da Igreja. Até algumas décadas, a Igreja não se preocupava em fazer esse check-up, pois nessa época era muito tranquila a gestão, as informações eram sempre as mesmas, existia uma simplicidade por parte da Igreja no quesito administrar. Por ser uma Instituição hierárquica, era fácil controlar, existia uma previsão do que podia ocorrer e isso facilitava suas decisões. Nesse caso, o coração estava no ritmo certo.

Podemos afirmar que nesse período o indivíduo se submetia à instituição, fazendo com que nas ordens, nos preceitos e em muitos outros assuntos quem dava a palavra final era a instituição. Com a vinda das novas tecnologias, as informações começaram a fluir, de modo complexo, instável, fora de controle, onde o individuo começa a questionar as instituições. Podemos dizer que nesse período os exames demonstram uma arritmia cardíaca. Nesse caso liga-se o alerta para um possível colapso.

A partir das novas tecnologias, a Igreja procurou se reorganizar, com novas estruturas, novos meios de administrar, pois esse período de transição coloca em pauta a transparência. Isso foi algo que incomodou o Papa Bento XVI e, para alguns estudiosos, uns dos motivos de sua renuncia pode ter sido a falta de transparência das finanças, da administração e os escândalos do Vaticano.

Nessa dinâmica toda, surge um novo personagem poderoso, indivíduo conectado, que acessa informações, mobiliza pessoas, trabalha, produz conhecimento, sem precisar das estruturas e das permissões das instituições. Portanto, as instituições tiveram que aprender a lidar com esse novo indivíduo, mais crítico, dinâmico e conhecedor de assuntos diversos. Essa mudança fez com que pessoas que tiveram sucesso no cenário das instituições pedissem demissão no cenário dos indivíduos conectados.

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Conexão atual na Igreja

O cenário do indivíduo conectado nos leva a entender a interdependência do gestor nos seus negócios. Hoje a busca do perfil do gestor está na simplicidade, na praticidade, na economia, na agilidade, na leveza e na consistência. A rapidez da tecnologia faz com que a burocracia dê lugar à simplicidade, à praticidade dos atos corriqueiros, à economia de custos para melhores resultados, à agilidade na resolução de problemas típicos e atípicos, e à consistência de que esses atos citados acima estejam de acordo com as prerrogativas da vida cristã.

Um exemplo de mudança para atender ao novo tempo é o próprio Papa Francisco, que deixa de viver no Palácio, buscando a singeleza de viver na Casa Santa Marta, junto com sacerdotes e leigos do mundo todo, ficando assim conectado com o que acontece no mundo, adquirindo praticidade ao resolver questões religiosas, administrativas, financeiras para demonstrar aos indivíduos conectados a transparência de seu papado e da Instituição que ele comanda. Junto com isso, demonstrou a economia de custos tendo melhores resultados, agilidade de falar ao coração dos fiéis na medida do entendimento do humano elevando o mesmo ao divino. Sua consistência de presença viva diante de fatos típicos e atípicos demonstra a grandeza das palavras de Jesus Cristo.

Enfim, a Igreja não é uma máquina que funciona como um relógio, mas sim um sistema, ou seja, um conjunto de elementos que trabalham de forma interdependente com um propósito comum.

Observação criteriosa

Podemos usar como exemplo nosso corpo, que é um sistema. Nossos órgãos trabalham de forma interdependente buscando o equilíbrio do corpo e esse é o propósito. Se um órgão declarar independência, nosso corpo entra em colapso. Assim também pode ocorrer com a instituição, se um órgão da organização se declarar independente irá provocar um colapso no sistema.

Para o sucesso da instituição, devemos trabalhar de forma interdependente, visando alcançar o propósito da missão:

  1. Devemos utilizar o bom senso e o discernimento, promovendo a integração e a interação, ser sensíveis às informações relevantes na busca de crescimento da Instituição.
  2. Não podemos confundir autonomia com independência.
    Autonomia: reconheço minha responsabilidade diante do todo.
    Independência: tenho visão do eu sem pensar nas consequências do todo.

O interessante é pensar que falamos desse mundo pensando no mundo eterno, porém são as ações humanas que farão com que tenhamos a morada eterna. Para o gestor vivenciar a vida eterna aqui como testemunha de Jesus requer renúncia, prudência, equilíbrio físico e psíquico.

Lembro-me de um palestrante que dizia que o homem peca diante de três elementos: dinheiro, poder e sexo. De fato, se refletirmos sobre o pecado iremos nos deparar com um desses três elementos. Dinheiro pode corromper a pessoa, o poder parece dar a sensação de não depender de mais ninguém e a vulnerabilidade de certos acontecimentos do dia a dia pode nos deixar cair em tentação perante o sexo.

Enfim, para essa interdependência, nosso contato humano se torna mais forte e, com isso, nosso risco de errar, de decepcionar e ter frustrações se tornam mais fortes. O que podemos tirar de lição disso tudo, é que o gestor e sua equipe devem estar alinhados espiritualmente, tecnicamente e psicologicamente para promover uma boa administração. Pense nisso!

Renato Camargo de Mendonça é Mestre em Contabilidade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, MBA em Finanças e Controladoria, Graduado em Ciências Contábeis, Contador e Ecônomo na Diocese de São João da Boa Vista/SP.
Contato: renato@diocesesaojoao.org.br

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