Celebrar a Páscoa é tocar a fé com as próprias mãos

Celebrar a Páscoa é tocar a fé com as próprias mãos

E outra vez é Páscoa! Jesus ressuscitou verdadeiramente, aleluia, aleluia!

A Páscoa é a maior das festas da fé cristã. O Ano Litúrgico da Igreja brota deste mistério da nossa fé, e a ele se dirige em todas as celebrações no decorrer do ano.

A Quaresma preparou-nos para esta solenidade. Tivemos à disposição o sacramento da reconciliação, a oração, o jejum e a esmola como oportunidades de conversão das nossas faltas e pecados. É chegada a Vigília Pascal! Ouvimos o grande Aleluia da liturgia da Palavra anunciando que a vida venceu a morte, Jesus está vivo!

 

VOLTAR PARA O ÍNDICE DA EDIÇÃO 99

 

Este mistério da ressurreição de Jesus é assimilado em nós por obra do Espírito Santo, força vivificadora do Pai e do Filho, mistério que entendemos pela fé. Este mesmo Espírito Divino nos impele a ressuscitar todas as realidades que estão ao nosso alcance, nos tornando partícipes da Páscoa de Cristo.

Diz a Palavra de Deus: “E, se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, se, de fato, sofremos com ele, para sermos também glorificados com ele” (Rm 8,17). Assim, a Páscoa de Cristo é porta para a nossa ressurreição, para a vida nova no Espírito Santo.

A Páscoa de Cristo é sinal de vida para o mundo

Celebrar a ressurreição de Jesus é compreender a ação e poder de Deus em favor da humanidade e em favor da criação inteira. No sinal do Ressuscitado está o modo pelo qual podemos entender o que está registrado no livro do Apocalipse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5).

Sim, o nosso Deus, criador e providente, deseja que a humanidade viva em plenitude, com dignidade, testemunhando o amor-comunhão da Trindade. Nossa fé na ressurreição, portanto, passa pela aceitação do amor misericordioso de Deus que resgata a humanidade de suas misérias, seus egoísmos e seus pecados.

E esta salvação manifestada por Jesus Cristo, Crucificado-Ressuscitado, alcança-nos por puro amor e pura gratuidade do Pai. Somos revestidos dessa capacidade de felicidade, uma vez que fomos criados para contemplar a beleza do Criador e manifestá-la aos homens e mulheres. Somos seres em relação. E nossa relação tem início na fraternidade com Jesus Cristo. Pela fé, somos enxertados na vida divina, destinados a receber a vida eterna se todos os dias formos promotores da ressurreição, embaixadores da vida nova, influenciadores das bem-aventuranças.

Nossa fé, que precisa brotar a partir de uma resposta sincera a Deus, dizendo sim ao seu plano de amor, misericórdia e serviço, também precisa se desdobrar em atitudes concretas em favor da vida das pessoas. Nós que confessamos a fé em Cristo Jesus, temos a mesma missão dele, de ir ao mundo inteiro e anunciar que Deus ama a todas as pessoas, independentemente da cor, da origem, da religião ou outra classificação. A humanidade inteira é obra do amor divino e merece conhecer e viver esta verdade de fé e de vida.

Celebrar a Páscoa é tocar a fé com as próprias mãos

Levar ao mundo as atitudes concretas da fé

A Páscoa é a celebração da vida! Para bem celebrar o dom da vida, nosso e dos irmãos e irmãs, precisamos fazer a experiência do perdão, da reconciliação, do abraço que protege, das mãos que ajudam a levantar, dos olhos que não julgam, mas acolhem, da língua que não acusa, mas abençoa, dos ouvidos sempre à disposição para escuta atenta.

A mensagem da ressurreição de Jesus foi o motivo central da origem do Novo Testamento. Ou seja, se hoje temos os evangelhos e os demais escritos, isso é decorrente de uma mensagem muito importante que precisou ser registrada, porque foi vivida e testemunhada pelos apóstolos e primeiras comunidades de fé. Por isso, a Boa Nova da ressurreição tornou-se conteúdo da fé e ao mesmo tempo, orienta a nossa prática de vida.

Celebrar a Páscoa é dar sentido novo aos nossos gestos, por meio dos nossos sentidos. Com essa motivação vamos dedicar alguns instantes em meditar a maneira como nossos sentidos (visão, olfato, paladar, audição e tato) podem manifestar a ressurreição. Ou seja, de que modo, por meio de nosso corpo e da nossa sensibilidade, somos capazes de manifestar a Páscoa no corre-corre dos dias, a fim de transformar os sinais de tristeza e morte em alegrias, vida e esperança.

 

OVES-CATEQUESE

 

A fé que se deixa sentir:

  • pelo olfato: “No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo, levando perfumes que tinham preparado” (Lc 24,1). Ainda impactadas pelo sofrimento da morte de Jesus, as mulheres prestam-lhe um último serviço de embalsamar o corpo que havia sido sepultado às pressas. Os perfumes fazem parte dos rituais de despedida. E agora, para surpresa das mulheres, o raiar de um novo dia dá um sentindo novo para a vida delas e da comunidade dos seguidores de Jesus. No início da manhã, quando tudo começa a acordar, o sol torna a brilhar e as flores exalam o cheiro de vida nova. Nós também, seguindo os passos das mulheres, precisamos sentir o cheiro da novidade da ressurreição e assim, exalar o perfume da fé em Jesus por onde passarmos.
  • pela visão: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro” (Jo 20,1). A natureza inteira participa da ressurreição de Jesus. Maria Madalena vê a pedra removida e o texto continua relatando a sua participação em ver, acreditar e anunciar a ressurreição aos discípulos. Nós também, enquanto discípulos de Jesus Cristo, precisamos abrir nossos olhos e perceber os sinais divinos. Muitas pessoas precisam da nossa ajuda para retirarem as pedras do sofrimento, da dor e da tristeza para contemplarem a beleza da vida nova. Como discípulos de Cristo precisamos ver e deixar que a fé se mostre, identificando os sinais onde Deus se manifesta em nossa vida e na vida de todas as pessoas.
  • pela audição: “Ela foi anunciar o fato aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e choravam. Quando ouviram que ele estava vivo e tinha sido visto por ela, não acreditaram. […] Jesus os criticou pela falta de fé e pela dureza de coração” (Mc 16,10-11.14). Participar da ressurreição de Jesus é permitir-se receber as surpresas de Deus. A fé é dom divino, é graça que Deus concede aos homens e mulheres de todos os tempos e lugares. E quando a fé é respondida com sinceridade de coração, Deus age na vida de toda pessoa. Assim, precisamos estar abertos para os testemunhos de fé que brotam de todos os corações, sejam de pessoas adultas ou crianças, de pessoas com vários títulos ou as mais humildes, pessoas de todas as nacionalidades e credos. Deus se manifesta onde encontra um coração humilde e disposto a fazer o bem, praticar a justiça e viver o amor. Nós também, precisamos eliminar as barreiras do preconceito de nossos ouvidos e permitir-nos ouvir e comunicar a fé que se manifesta onde o Espírito de Deus habita.
  • pelo tato: “Nisso, o próprio Jesus veio-lhes ao encontro e disse: ‘Alegrai-vos!’ Elas se aproximaram e abraçaram seus pés, em adoração” (Mt 28,9). A fé em Jesus ressuscitado precisa tornar nosso coração sensível, sem barreiras, disponível ao encontro e acolhida das pessoas. As mulheres da primeira hora tiveram a surpresa de receberem a visita do Ressuscitado. Tanto amor não cabia em palavras e por isso, lançaram-se aos seus pés e o abraçaram. A Páscoa é a celebração da ternura, do afago, do bem-querer e do carinho. Para celebrar a vitória da vida sobre a morte, teremos que derrubar os muros do preconceito, da rigidez e da indiferença. Precisamos imitar aquelas mulheres e lançar nossos braços na direção da vida, abraçando os tristes, desanimados, enlutados e que perderam o sentido da vida. Assim, seremos tocados pela fé, pelo próprio Cristo, para podermos tocar a vida das pessoas com gestos de ressurreição.
  • pelo paladar: “Jesus disse-lhes: ‘Vinde comer’. Tomou o pão e deu a eles. E fez a mesma coisa com o peixe” (Jo 21,12-13). Pela fé, somos mais fortes diante das adversidades e das dúvidas que aparecem no cotidiano. A Bíblia relata que após a morte de Jesus, a comunidade de discípulos e demais seguidores permaneceram reunidos. Primeiro por medo dos judeus, mas depois, ao compreenderem a mensagem da ressurreição, reuniam-se para celebrar a memória de Cristo, presente no pão repartido. E desde então, o sinal do encontro fraterno para ouvir a Palavra e partir o Pão é o distintivo das liturgias cristãs. Palavra, Pão e Vinho são os alimentos da fé cristã. Nós também, após as celebrações da Páscoa, somos convocados a retornar para a nossa comunidade e vibrar a vitória da vida sobre a morte com a fé dos irmãos e irmãs. Em comunidade, é possível abastecer-se da Palavra, comer do Pão Eucarístico, para então, transbordar de alegria e gerar mudança de vida. A fé nos dá sentido para nossas escolhas diárias e nutre a vida concreta do dia a dia.
Por Ariél Philippi Machado – Catequista na Arquidiocese de Florianópolis (SC), membro da Rede Lumen de Catequese, Teólogo e Especialista em Catequese – Iniciação à Vida Cristã.

Veja os outros artigos da edição 99:

VOLTAR PARA O ÍNDICE DA EDIÇÃO 99

©[2022] Portal Paróquias - Todos os direitos reservados a Promocat Promotora Católica

ou

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?