Catequese e internet: um caminho a explorar

Os tempos de pandemia mudaram a vida da Igreja. As missas passaram a ser transmitidas pelas redes sociais, as formações passaram a ser realizadas online, em muitos momentos os templos foram fechados e a comunidade até hoje não voltou se reunir do mesmo modo. Mas podemos dizer que, sem dúvida, a catequese foi um dos trabalhos eclesiais mais afetados pela pandemia. Sem poder realizar encontros presenciais, os catequistas, a coordenação de catequese e os párocos se viram obrigados a repensar os processos catequéticos, outros viram que os desafios são maiores que as perspectivas e outros podem ainda ter se sentido desanimados e incapazes.

 

VOLTAR PARA O ÍNDICE DA EDIÇÃO 100

 

Quando tratamos da relação entre a catequese e a internet é comum que logo escutemos perguntas sobre a migração dos encontros de catequese para o ambiente digital. Será que teremos catequese no estilo EaD (catequese a distância)? Será que passaremos a utilizar equipamentos de acesso à internet nos encontros de catequese? Todo esse processo é muito novo, mas o que podemos dizer é que a catequese está diretamente relacionada à vida comunitária. Somos catequizados na comunidade. As relações eclesiais são a base para os processos catequéticos. Nos parece certo que dificilmente teríamos uma catequese fora do ambiente comunitário.

Os últimos anos mostraram que os processos catequéticos devem considerar o uso da internet e dos meios digitais. Mas para uma maior interação entre a catequese e os meios digitais, os catequistas precisam ser preparados. O perfil dos catequistas brasileiros é diverso. Há aqueles que têm facilidade com o uso de tecnologias, mas há também aqueles que apresentam muita dificuldade, seja porque não têm acesso a equipamentos eletrônicos ou mesmo porque se limitam a utilizar redes sociais.

Muitas dioceses e paróquias aproveitaram os anos 2020 e 2021 para a formação de catequistas. Não necessariamente essa formação foi sobre a relação entre catequese e internet, mas provavelmente aconteceram por plataformas digitais. Isso é bom pois ajuda os catequistas, sobretudo aqueles que têm menos sintonia com as ferramentas que a internet apresenta. Participar de uma formação que acontece pela internet, faz com que o catequista se insira neste universo.

Catequese e internet: um caminho a explorar

O primeiro passo para uma catequese que considere o ambiente virtual é sensibilizar os catequistas para o fato de que as novas gerações são cibernéticas, ou seja, não apenas utilizamos a internet, mas estamos sempre online. A geração dos migrantes digitais (aqueles que aprenderam a utilizar a internet ao longo da vida) tem características diferentes da geração dos nativos digitais (aqueles que já nasceram com contato com o ambiente digital). Não se trata apenas de usar ou não a internet, mas de estar inserido em uma lógica própria do ambiente virtual.

Pensemos em uma situação muito concreta. Nos encontros de catequese utilizamos a Bíblia. A cada encontro o catequista pede que os catequizandos tragam consigo sua própria Bíblia. E se o catequizando traz os textos bíblicos no seu smartphone? Para a geração dos adolescentes isso é cada vez mais comum. Para os jovens o livro impresso não tem o valor em si. Ele está preocupado com a praticidade de carregar todos os livros da Bíblia em um pequeno aparelho. O catequista, então, pode ficar apavorado e inseguro, pois não sabe se o catequizando está acompanhando a leitura do texto bíblico ou está nas redes sociais. Mas vamos ser sinceros: também aqueles que estão com a Bíblia podem não estar interessados nos processos catequéticos.

O que faz o catequizando sentir-se atraído pelos encontros de catequese é a capacidade do catequista criar relações entre os processos catequéticos (encontros, liturgia, temas e reflexões) e a vida do catequizando. O Documento Catequese renovada chama relação de interação entre fé e vida, ou seja, aquilo que é celebrado e ensinado deve iluminar a vida e ao mesmo tempo ser motivado pela experiência que o catequizando traz consigo.

Há muitas discussões dos teólogos e catequetas em relação aos métodos e metodologias utilizadas na catequese. Quando pensamos se devemos ou não utilizar manuais ou se a catequese deve se pautar pelo ano litúrgico, encontramos diferentes entendimentos. Essa diversidade de concepções metodológicas.

Não concordo com a ideia de que a pandemia venha para nos ensinar alguma coisa. Não há aprendizados que justifiquem tantas mortes e sofrimentos. Mas a pandemia nos relevou algumas carências que tínhamos. Uma dessas faltas diz respeito ao pouco uso que fazemos das novas tecnologias e do ambiente virtual. A relação entre catequese e internet se mostra ainda mais deficitária. Estamos diante de um caminho a se explorar que pode, e muito, aproximar as novas gerações dos processos catequéticos. Mas para que isso aconteça há um primeiro passo a ser dado: somos chamados a sensibilizar nossos catequistas para essa questão e isso pode acontecer por meio da formação e por meio de vivências e práticas. Do mais, vale a máxima de que o caminho se faz caminhando.

Welder Lancieri Marchini é Doutor em ciência da religião (PUC SP), doutorando em teologia (PUC Rio), professor da pós-graduação em missiologia (Fajopa) e editor de teologia (Vozes). É autor dos livros Paróquias urbanas (Santuário), Por uma Igreja jovem (Paulinas) e Perseverando com Jesus (Vozes).

Veja os outros artigos da edição 100:

VOLTAR PARA O ÍNDICE DA EDIÇÃO 100

©[2022] Portal Paróquias - Todos os direitos reservados a Promocat Promotora Católica

ou

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?