Administrar a ansiedade em tempos de pandemia

Administrar a ansiedade em tempos de pandemia

A história humana registra inúmeros acontecimentos trágicos como catástrofes naturais, guerras em âmbito regional ou global várias epidemias como a peste bubônica, gripe espanhola, surto de varíola, Sars, Zikavirus, Ebola, H1N1 e os vários coronavírus.

 

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O atual contexto de pandemia provocado pelo novo Sarx-Cov-II, tem produzido aumento de sintomas de ansiedade de uma maneira geral na população.
A vida em nosso país e mundo abalou-se, estruturas e rotinas sólidas alteraram-se, muitas pessoas perderam a vida, ciência e cientistas se percebem atônitos, sem respostas, mas com muitas perguntas.

A cotidianidade das pessoas, cidades, famílias, comunidades, foram alteradas significativamente, na tentativa de exercer controle sobre o vírus, salvar a vida humana de um inimigo perigoso, de proporções microscópicas. Um adversário invisível aos olhos humanos!

 

Administrar a ansiedade em tempos de pandemia

 

O transtorno de ansiedade

Os transtornos de ansiedade, na perspectiva de Beck (2013), manifestam-se mediante a presença pensamentos equivocados, várias formas de medos, preocupações excessivas, produzindo nos indivíduos interpretações ou pensamentos disfuncionais.

Os transtornos de ansiedade nunca vêm só, trazem consigo medo, produz percepções altamente negativas, expressas nos seguintes pensamentos: E se começar surgir muitos casos de COVID-19 em minha cidade? E se alguém da minha família contrair esse vírus? E se meus avós contraírem essa moléstia? E se eu for infectado?

A vivência ansiosa ou o medo excessivo, dependendo da intensidade, pode vir acompanhada por sintomas físicos como tremores, fraqueza nas pernas, respiração ofegante, aperto no peito, taquicardia, insônia e outras sensações desagradáveis.

De acordo com o DSM-V (2014), os transtornos de ansiedade, coexistem em várias especificidades como: transtorno de ansiedade de separação, transtorno de pânico, fobias específicas, transtornos de ansiedade social, transtornos de ansiedade generalizada, entre outros.

Estas sensações, não poucas vezes experimentadas em nível corpóreo, para Serra (2020), são percebidas pelo indivíduo ansioso como um sinal de alerta, sinal de que está ocorrendo algo perigoso, de que uma certa ameaça ou perigo se avizinha, fazendo a pessoa adentrar no que, tecnicamente denomina-se espiral ascendente de ansiedade e medo, fazendo a sensação de ameaça iminente agravar-se significativamente.

 

OVES-PASTORAIS

 

Reassumindo as rédeas da vida

Eventos estressores externos potencializam a sensação de medo, como a possibilidade de se contrair e repassar o Coronavírus, acentuando a ansiedade e o medo. Mas também, este mesmo indivíduo pode desenvolver estratégias de enfrentamento e questionamento do medo, mediante a dúvida.

Esta estratégia de enfrentamento se baseia na percepção individual de que se está tomando os devidos cuidados sanitários (máscaras, distanciamento, hiper-higienizaçao), ou seja, cuidados já conhecidos contra o contágio.

Se você caro leitor, encarar seu medo de ser infectado ou de infectar pessoas queridas com o vírus chinês, você desenvolverá sintomas ansiosos, porém bem mais amenos, com menor intensidade, se decidir racionalmente controlar suas emoções e pensamentos.

Alguns cuidados devem ser incorporados e naturalizados, tendo em vista o reforço de sua saúde mental, são eles:

  1. Seguir as orientações sanitárias e epidemiológicas prescritas e já conhecidas;
  2. Manter-se calmo(a), otimista, confiante, esperançoso(a);
  3. Exercitar a dúvida socrática. Diante de pensamentos negativos, questioná-los, pô-los a prova, ao invés de acolhê-los de imediato;

Quem se fortalece psiquicamente fica em melhores condições de, se porventura contrair a moléstia chinesa, estar psicologicamente mais fortalecido, conseguirá mais eficazmente obter bom êxito e contribuirá ativamente para o seu tratamento.

Ainda que vivamos em um palco de incertezas, temos de nutrir pensamentos e comportamentos baseados na fé, que sempre garante a transitoriedade da existência e a certeza do resultado final. Este resultado final nos antecipa a impressão de que, unidos superaremos este tempo difícil, sairemos mais fortalecidos, desde que tomemos as rédeas da vida emocional.

Referencias

  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (recursos eletrônicos): DSM-5. Trad. Nascimento, M. I. C. et al, 5.ed. Porto Alegre: Artmed.
  • BECK. J (2013). Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Porto Alegre. Artmed.
Pe. Me. Arilço Chaves Nantes  – Doutorando em Psicologia, pertence ao Clero da Diocese de Naviraí – Regional Oeste I. Atualmente é pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo (Angélica/MS).

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