A saúde emocional de religiosos e vocacionados

A saúde emocional na vida religiosa

Com vistas a um longo caminho a ser percorrido, a Igreja cada vez mais se preocupa em buscar meios a fim de dar suporte à saúde emocional para seus vocacionados. Não somente aos jovens, mas por vezes, em todo o percurso de suas vidas religiosas.

Para o psicólogo Paulo Greven, os fatores que os levam ao divã, são os mesmos fatores aflitivos da vida leiga. Greven refere-se a um processo natural de evolução do ser humano, pelo qual, provavelmente à maioria das pessoas passam em determinado momento da vida. “Os valores que tínhamos aos 20 anos não valem mais quando chegamos aos 40. Todos nós temos a necessidade de reciclar a nossa postura. Nesse momento, a terapia é muito útil. Nós tendemos a nos fixar nos valores, respostas e estratégias de vida que deram certo. Mas quando não nos servem em determinado momento, isso nos causa a sensação de termos perdido o chão”, explica.

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Mais do que uma oração

A expectativa que a sociedade gera sobre o religioso é grande, ocasionando pressão em sua saúde emocional. Esse indivíduo que fez escolhas em sua vida, muitas vezes para ajudar as pessoas, onde ele teria os meios divinos de aliviar os aflitos, se vê afligido, diante de impasses de conjuntura, por vezes muito maiores do que sua condição de vencê-las. “A exemplo de várias profissões, especialmente daquelas voltadas para a ajuda ao outro, como médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, também a serviço do sagrado, apresenta desgaste físico, afetivo, emocional e intelectual.

A pessoa se sente exaurida das energias afetivas. Contudo, já não tem a mesma satisfação e prazer em desempenhar a missão, e começa a haver um sério desinteresse com as atividades paroquiais. Isso pode levar à tristeza, angústia e a traços de depressão”, diagnostica Dr. Willian Castilho. “Essas são profissões onde a relação transferencial amorosa é muito intensa. As pessoas vêm nos procurar com uma carga muito grande de sofrimento e nos veem como o salvador desses problemas. Se não estivermos atentos a essa carga a gente se desgasta, nós passamos a ter um sofrimento que passa a ser nosso também”.

Anseios da alma

A proposta de encontrar um auxílio para determinadas situações ou dificuldades pessoais, diga-se de passagem, íntimas, o autoconhecimento é uma das chaves para encontrar o sentido para a existência. Logo, uma das alternativas para um reencontro consigo mesmo, é a terapia psicológica. O indivíduo tenta identificar as causas das frustrações, dificuldades em relacionamentos, etc, com o auxílio profissional. Esse recurso conduz a pessoa a descobrir sua própria essência. Assim como o lugar de crescimento e a descoberta de si mesmo. Entretanto, para alcançar determinado sucesso em terapias ou análises na área da psicologia ou psicanálise, existem referenciais que norteiam o estudo e a aplicação dos métodos no paciente. Assim, alguns nomes da filosofia auxiliam na explicação da saúde emocional:

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Sócrates (470 – 399 a.C.)

O pensamento de Sócrates, filósofo da antiguidade, merece destaque. Ele mostra que a filosofia possui a função que vem de dentro para fora, ou seja, indica e desperta o conhecimento, a qual nos favorece o autoconhecimento, porque a verdade está dentro de cada um (maiêutica). Segundo Sócrates, para conhecer a si mesmo é preciso conhecer o outro. Logo, a alma do outro é como se fosse o espelho da própria alma.

Sócrates expõe os limites da natureza humana, quando na inscrição do Oráculo de Delfos, o “Conhece-te a ti mesmo”, remete-nos uma advertência caracterizada pelo conhecimento da condição humana. O homem deve procurar ter consciência dos atos, dos comportamentos, da arrogância, etc, devendo então ter ciência dos seus próprios limites e daí, ser necessário conhecer o mundo para conhecer a si mesmo.

Carl Gustav Jung (1875-1961)

O tema mais reconhecido de Jung é a sua teoria dos “tipos psicológicos”. Foi com base na análise da controvérsia entre as personalidades de Freud e um discípulo famoso, Alfred Adler, que Jung, também discípulo de Freud delineou a tipologia do “introvertido” e do “extrovertido”. Utilizando-se desta técnica e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente.

Em síntese, para Jung não existe um tipo puro, mas descreve a distinção entre “introvertido” e “extrovertido”. Ele reconhecia que todos nós temos ambas as características. Somente a predominância relativa de um deles é que determina o tipo na pessoa.

Jean-Paul Sartre (1905 -1980)

O homem enquanto “ser-em-situação”, a necessidade de engajamento, a responsabilidade pessoal por todas as ações e projetos de vida e, sobretudo, a liberdade como raiz fundamental do indivíduo são as coordenadas do pensamento existencialista de Sartre.

Para ele, o homem é aquilo que ele mesmo faz de si, é a isto que chamamos de subjetividade. Porém, se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é de por todo o homem na posse do que ele é de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência.

Sartre afirma que o homem se escolhe a si mesmo. Porventura, quer dizer que cada um de nós se escolhe e também escolhe os homens. E para superar essa dinâmica existencial, para Sartre o homem está condenado a ser livre. Por isso, afirma que ele é responsável pelos seus atos.

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Por Sandra de Angelis

Texto escrito por Sandra de Angelis e Adaptado por Redação Promocat

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