A Igreja Primitiva nasceu Católica!

I – Introdução

Dando continuidade ao artigo anterior, seguiremos reafirmando as incomensuráveis riquezas da Doutrina Católica. Nesta seção comprovaremos que a fé católica, por nós professada, encontra sua veracidade em eventos históricos e fundamentados.

Uma pouco de catequese é necessário, pois temos necessidade de reforçar nosso saber, aprofundar nossa compreensão e refinar nossa intuição.

 

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É muito importante, quando se buscam conhecimentos credíveis e arraigados na história, rememorar como indivíduos e agrupamentos viveram outrora. É mister reconhecer a cosmovisão, costumes e percepções daqueles que nos antecederam.

II – A economia da salvação comunicada na liturgia

Há poucas semanas atrás, vivenciamos liturgicamente o tempo pascal, tempo este marcado pelas manifestações (aparições) de Jesus Cristo ressuscitado aos discípulos e pela estruturação da Igreja primitiva.

Durante o tempo pascal acompanhamos a leitura dos Atos dos Apóstolos, e nela vimos como viviam (modo de vida), em que acreditavam (depósito da fé) e como celebravam (dimensão celebrativa) os primeiros discípulos de Cristo.

III- Os primeiros cristãos eram católicos e não protestantes!

A Igreja primitiva era Católica (universal, aberta, não restritiva), diferente do judaísmo que tendia ao nacionalismo e exclusivismo. A comunidade de Jesus e dos discípulos, nasce católica, contraiando assim a definição falaciosa de escritos e escritores iluministas, que possuem uma inclinação tendenciosa, mítica e desprovida de historicidade, que arbitrariamente afirmam que a Igreja católica inicia-se a partir de Constantino. Esta é uma inverdade, ainda “ensinada” em ambientes acadêmicos, inclusive no meio teológico eclesiástico!

Os cristão do primeiro século eram conhecido como seguidores do caminho, daí a passagem bíblica dos dois caminhos e da porta estreita (Mt 7, 13-140. Jesus e seus discípulos, ensinavam sobre os mesmo dois caminhos (Dt 1, 13; 27-30) que Moises ensinou o povo eleito: caminho da vida e caminho da vida.

Este ensinamento consistia apenas em: desenvolver determinados comportamentos, abandonar determinadas condutas e fazer obras de caridade com espirito de fé (Tg 2,26). Ou seja, não há uma relação dicotômica entre fé e obras, mas uma relação complementar onde crer e fazer são duas faces de uma mesma moeda chamada caridade.

Na Didache (1997), escrito datado por alguns como sendo elaborado no final séc. I e por outros, é reconhecido como um escrito mais antigo, remontado aos tempos da primeira geração apostólica, sendo assim, anterior a alguns livros do Novo Testamento, escrito, provavelmente antes do Evangelho de S. João, do Apocalipse e de algumas das epístolas. Provavelmente a Didaché tenha sido escrita por Barnabé (companheiro de Paulo), entre os anos 60-69 d. C.

De acordo com Salvador (1980), Didaqué é uma terminologia grega que significa instrução ou doutrina. Esta instrução ou ensinamento, conhecida como Instrução dos Doze Apóstolos, lembra muito o que diz o livro de Atos (2,42) sobre o ensinamento dos Apóstolos.

Por muito tempo e muitos Padres da Igreja consideraram a Didaqué um livro inspirado, embora não tenha sido inserido no cânon bíblico. Este manuscrito era um muito conhecido, lido em algumas liturgias, assim como lemos as leituras na Missa hoje.

Com base na Didaché (1997), vemos que nossos primeiros irmãos católicos acreditavam na existência do purgatório, rezavam pelos defuntos no aniversário de falecimento, acreditava-se na presença real de Cristo na Eucaristia, tinham no Domingo o Dia do Senhor, batismo de infantes, a intercessão dos santos era recorrente nos primeiros cristãos.

Conforme acompanhamos no tempo pascal, a fé primitiva não era protestante, mas católica, pois, nas palavras de São Paulo (Ef 4,5), há uma só fé, um só batismo, um só rebanho, consequentemente um só pastor.

REFERENCIAS

DIDAQUÉ, O Catecismo Dos Primeiros Cristãos Para As Comunidade De Hoje. São Paulo: Paulus, 1997.

SALVADOR, José Gonçalves. O Didaché ou O Ensino do Senhor através dos Doze Apóstolos. São Paulo: Imprensa Metodista, 1980.

Pe. Me. Arilço Chaves Nantes possui Graduação em Pedagogia pela Associação Nova Andradinense de Educação e Cultura – ANAEC (2004). Licenciatura em Filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco – UCDB (2007). Bacharelado em Teologia pelo Instituto Teológico João Paulo II – ITEO (2012). Bacharelado em Teologia pela Faculdade João Paulo II – FAJOPA (2013). Especialização (Lato Sensu) em Espiritualidade Cristã e Orientação Espiritual pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE (2016). Mestrado em Psicologia da Saúde pela Universidade Católica Dom Bosco – UCDB (2018). Especialização (Lato Sensu) em Psicologia Existencial, Humanista e Fenomenológica pela Faculdade FUTURA (2020). Especialização (Lato Sensu) em Terapia da Constelação Familiar e Sistêmica pela Faculdade UNYLEYA (2020). Especialização (Lato Sensu) em Psicologia Positiva (em andamento) pelo Instituto de Ensino Superior da Região Serrana – FARESE. Doutorando (em andamento) em Psicologia pela Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (UCES), Buenos Aires/Argentina. Atua na área de Teologia Prática, com ênfase em Teologia do Aconselhamento. Desenvolve atividade docente no Seminário Diocesano Cristo Sacerdote da Diocese de Naviraí onde leciona a disciplina Metodologia e Práticas de Estudo: Introdução à Vida Intelectual de futuros presbíteros. Articulista da Revista Paróquias. Tem interesse em temas como: Religião, Religiosidade, Espiritualidade e suas interfaces com a Saúde Mental. Em sua pesquisa doutoral desenvolve estudos sobre Psicologia Positiva, Bem-Estar Psicológico e Práticas de Auto-cuidado.

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