A gestão de pessoas torna sua comunidade aberta para mudanças

Torne sua instituição uma comunidade aberta para mudanças por meio da gestão de pessoas

A gestão de pessoas talvez seja a mais importante competência do moderno gestor. Seja nas instituições confessionais, seja em organizações laicas. A despeito de tamanha relevância, porém, o que se observa nas instituições religiosas é a quase ausência das práticas mais básicas para uma correta gestão de pessoas. Isso acarreta pessoas desmotivadas, religiosos descontentes, queda nos números de alunos, nos colégios católicos, aumento de custos, apatia, passivos trabalhistas, relações internas conflituosas e pouco transparentes, processos “travados” e tomadas de decisão demoradas, pouco efetivas e até equivocadas.

Diversos elementos da “cultura congregacional” contribuem para o baixo desempenho dos religiosos gestores ao lidarem com pessoas:

  1. O “isolamento”, ainda que relativo, a que os primeiros se submetem. Isso faz com que conheçam pouco do mundo atual, suas estruturas, dinâmicas e processos, bem como os anseios, motivações, desejos e contradições que hoje movem os leigos;
  2. A dificuldade de muitos religiosos em compreenderem o mundo “mais amplo” em que estão imersos os alunos, professores e funcionários, prestadores de serviços, pais, enfim, todas as pessoas “externas” ao convento;
  3. A prevalência, nas instituições confessionais, de leigos desestruturados e, com frequência, bajuladores, em cargos de gestão e agindo, muitas vezes de forma inescrupulosa, em nome dos religiosos;
  4. A pouca clarificação de papéis, objetivos, metas e indicadores (devido ao pouco conhecimento dos instrumentos gerenciais hoje fartamente utilizados), situação que deixa os leigos “perdidos”;
  5. A enorme dificuldade dos religiosos em dar feedback aos seus pares e aos funcionários. Portanto, deixando de “sinalizar” adequadamente para esses grupos “o que está bom e o que não está”;
  6. A prática de “esconder debaixo do tapete” os problemas e conflitos que normalmente emergem nos relacionamentos humanos.

Leia também:
A importância dos bens patrimoniais para a história da humanidade

Percepções comuns

Contrariamente ao que pensa o senso comum, muitas vezes o “não-dito” se torna obstáculo, interdição, e é “dito” de outras formas: em entonações de voz agressivas, em sorrisos forçados, em olhares dardejantes, em bilhetes ríspidos, em frases curtas e rascantes, em doenças psicossomáticas, em dores físicas e dores d´alma…

A resistência ao “novo” (novas ideias, religiosos mais jovens, novos processos, tecnologias e metodologias educacionais, financeiras, contábeis, gerenciais). Frequentemente são encontradas nas Congregações. Constitui-se em elemento igualmente dificultador das relações interpessoais, no nível profissional, e acaba por se tornar fonte permanente de conflitos, quiçá nas próprias comunidades religiosas, onde fossos são criados entre as gerações de religiosos.

O poder e o apego quase irracional a cargos e posições também estão na base de muitos desajustes na gestão de pessoas. Os resultados dessas posturas desequilibradas não poderiam ser diferentes. Equipes desmotivadas, enormes “ruídos” na comunicação interna (subgrupos, esfacelamento, instituição compartimentada em setores estanques), conflitos “silenciosos”, processos atravancados, perdas incessantes de alunos, reclamações de todos os lados, fechamento de obras. Sendo assim, o poder mal exercido tem ainda uma face voltada para as próprias comunidades religiosas. Provoca seus danos, depauperando e lentamente erodindo relações. Contudo, adoecendo os pares, e outra face voltada para os leigos, onde igualmente corrói laços e azeda relacionamentos profissionais.

Leia também:
Explore uma gestão que vivencie uma ação participativa a uma gestão religiosa corporativa

Novos olhares

Empreender mudanças comportamentais que levam a um melhor gerenciamento de pessoas requer programas de formação continuada. Além de instrumentos gerenciais que tornem a gestão menos passional, mais profissional (sem perder o calor humano!) e mais equânime; acima de tudo, tais programas de mudanças demandam novas posturas dos gestores (abertura, revisão de conceitos), sejam religiosos, sejam leigos.

As congregações vivem momentos de incerteza quanto ao futuro, em um mundo cada vez mais complexo, intrigante e instigante. Sua capacidade de correta avaliação de cenários internos e externos e sua força interior no sentido de empreender mudanças de base, necessárias para garantir a sua sobrevivência neste “novo mundo”, são fatores chave para a perpetuação de suas Obras. Portanto, nesse sentido, investir na formação para a gestão de pessoas é igualmente fator de sobrevivência.

Sebastião Venâncio de Castro é Diretor do Instituto Axis. Psicólogo. Biólogo. Doutorando. Mestre, Especialista em Gestão de Pessoas. Principal docente do Curso de Gestão de Pessoas em Instituições Confessionais, do Instituto Axis.
Contato: sebastião@institutoaxis.com.br
Site: www.institutoaxis.com.br

Texto escrito por Sebastião e adaptado por Redação Promocat

©[2019] Portal Paróquias - Todos os direitos reservados a Promocat Promotora Católica

ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

ou

Create Account